Professora da UFMG profere palestra no Projeto Afrocientistas

Por Sebastião de Oliveira
Equipe Ascom Ufam

A pesquisadora da Universidade Federal de Uberlândia e presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores/as e Negros/as (ABPN), professora Nicéa Quintino Amauro, proferiu a palestra 'Por um ensino de Ciências Feminista' na do último dia 13, no auditório Rio Solimões do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal do Amazonas (IFCHS/Ufam), localizado no Setor Norte do Campus Universitário.

A atividade faz parte da programação do Projeto Afrocientista - Experiências Educativas de Igualdade Étnico-racial na Universidade cujo objetivo é aproximar os jovens negros oriundos de baixas classes econômicas e que possuam alto potencial de engajamento acadêmico e social no ambiente universitário. Nesse contexto, as ações são baseadas nas experiências sociais e educativas de igualdade étnico-racial de jovens estudantes do ensino médio no Amazonas.

A palestra

Na apresentação, a docente agradeceu o convite realizado pelo Projeto que coincidiu a data 13 de maio, Dia da Libertação dos Escravos no Brasil, que considerou emblemático para o Movimento Negro e das Mulheres Negras, resignificado pela luta à liberdade.   Ela lembrou a parceria entre a ABPN, o Unibanco, a Ufam,  a Secretaria de Estado de Educação (Seduc/Am), organizadores no estado do Amazonas que permitiu a consolidação Projeto Afrocientista.

O projeto, que iniciou suas atividades em outubro de 2018, tem a duração de 12 meses e a participação de 100 alunos da Educação Básica em oito grupos de estudos afrobrasileiros ou de afrobrasileiros/indígenas e correlatos. “A Ufam é a quinta Universidade que implementou o Projeto de  Pesquisa. Ela entende que “é necessário que haja na Academia um conjunto de conhecimentos e saberes que esteja de fato ao alcance da população brasileira que hoje é, majoritariamente negra”, assegurou a professora.

Bacharel em Química, mestre e doutora em Educação e Ciências pelo Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC/USP), a professora abordou sobre Ciências e o seu ensino na educação básica.  

Segundo a pesquisadora, a produção científica nacional se concentra majoritariamente nas Instituições de Ensino Superior (IES). Ela apresentou como exemplos as Universidades Federais do Amazonas, do Rio de Janeiro, da Bahia e de Goiás. Nesse sentido, ela questiona quanto ao conceito de Ciência e o que se traduz quando se vende ao cidadão comum que não é cientista. Para ela, a Ciência comprova sua importância quanto à produção de artefatos, como o celular, a câmera fotográfica, dentre outros, que podem impactar positiva ou negativamente na vida das pessoas. Com isso, disse a professora, a ciência traduz a verdade, isenta de conceito e pré-conceito comum à condição humana que condicionada ao racismo, a misoginia, a homofobia, ao elitismo e outros.

“A ciência é produzida para melhorar a vida das pessoas e por si só é boa e verdadeira”, completa a professora, ao enfatizar a necessidade de desmitificação do conceito empregado.

Evolucionismo

A ideia de que o homem é um ser vivo originário do homenídeo tem o tratamento antropocêntrico cujo recorte se dá por meio de gênero, disse a professora.  “Quando nós tentamos tipificar a origem dos seres humanos, vamos perceber que isso pode ser feito através de uma pesquisa em um meio celular ou num conjunto de organelas existente somente no corpo dos entes femininos dessa espécie”, relatou a pesquisadora.

“Quando fazemos essa genealogia focada no gênero masculino,  falseamos a ciência e esta, por sua vez, não pode ser falseada. Porque tem a necessidade de ser fidedigna e confiável”, completou. A professora finalizou: "ela não pode ser, a única justificativa ao caráter não feminista, igualitário e o desprestígio que se dá a figura da mulher mesmo quando é para se construir um pensamento científico autentico".                            

Sobre o Projeto

A proposta pedagógica do Afrocientista tem fundamento nestes três pilares: iniciação às práticas da ciência; instrumentalização sobre o fazer ciências; e, formação para a cidadania e mobilização social. As atividades – voltadas à pesquisa e à tecnologia – pretendem despertar e incentivar a vocação científica e os talentos.

“A Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as através de parceria firmada com o Instituto Unibanco fornecerá aos estudantes uma bolsa de estudos no valor de R$ 150,00 reais mais uma ajuda de custo para o transporte de deslocamento municipal de 80 reais. A Secretaria de Educação, por meio da GAEED, fará a seleção os/as estudantes do Ensino Médio, que deverá levar em conta critérios estabelecidos no termo de compromisso firmado entre Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN) e Núcleo de Estudos Afro Indígena (NEAINC), além de colaborar para garantir a participação e permanência desses estudantes durante o período estipulado pela ABPN, para isso é necessário força-tarefa para garantir alojamento, alimentação e transporte, tendo em vista que as atividades acontecerão uma vez por mês”, detalha o Termo de Parceria que define as diretrizes gerais do Projeto.