Laboratório de Biotecnologia da Ufam aposta em pesquisas com testes genéticos

 Parceria científica -  Professores Adolfo Mota e Déborah Jezini no Laboratório de Biotecnologia da Ufam Parceria científica - Professores Adolfo Mota e Déborah Jezini no Laboratório de Biotecnologia da UfamPor Márcia Grana
Ascom Ufam

Coordenado pelo professor Adolfo Mota, pesquisador reconhecido nacionalmente pelos trabalhos que realiza na área de Genética Humana, o Laboratório de Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas está localizado no Bloco M do Setor Sul do Campus Universitário Arthur Virgílio Filho e conta com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Amazonas (Fapeam) e da Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep).

Investigações genéticas

Uma das atividades do Laboratório está alinhada a pesquisas que utilizam testes genéticos, uma das áreas mais caras da Biotecnologia. Segundo o coordenador do Laboratório, os voluntários participantes das pesquisas recebem uma detalhada análise genética pessoal.  “Os voluntários são vinculados a nossos projetos de mestrado e doutorado e o diagnóstico é a contrapartida que podemos oferecer a eles. Aqui acompanhamos mutações genéticas, propensões a doenças que podem ajudar a confirmar um diagnóstico clínico e orientar uma tomada de decisão do médico para tentar evitar ou retardar o desenvolvimento da doença em pacientes que possuem a predisposição genética, mas ainda não apresentam os sintomas, favorecendo assim um diagnóstico precoce que em muitos casos pode melhorar o prognóstico dos pacientes”, afirmou.

Ele ressaltou ainda que, embora a demanda por testes genéticos seja grande, não é possível estendê-los para toda a população. “Se fosse possível, ofereceríamos testes genéticos para quem precisa, mas estamos em uma Universidade, em um ambiente de pesquisa e existem limitações legais que devem ser observadas. Por exemplo, todos os nossos equipamentos e reagentes vêm com a inscrição ‘apenas para pesquisa’. Para viabilizar uma rotina diagnóstica, precisamos de  equipamentos e reagentes específicos para a linha diagnóstica. Embora os equipamentos e reagentes sejam praticamente os mesmos, a diferença está na licença e auditorias periódicas para utilizá-los, o que encarece muito a prestação desse tipo de serviço”, explicou o coordenador.

Parceria científica

Os voluntários que participam das pesquisas envolvendo investigações genéticas são encaminhados pela professora da Faculdade de Medicina (FM/UFAM) Deborah Laredo Jezini, docente da disciplina de Endocrinologia do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina e preceptora em Endocrinologia nas Residências Médicas do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV/UFAM). “A princípio, convidamos a Dra. Deborah Laredo Jezini, que é docente na disciplina de Endocrinologia do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFAM, e preceptora em Endocrinologia de Residência Médica, para fazer parte do projeto sobre MODY, um tipo específico de Diabetes de causa genética. A experiência clínica da doutora Deborah contribuiu na seleção dos casos suspeitos, ou seja, daqueles pacientes diabéticos que apresentavam indicação para investigação molecular a nível de DNA, e definiu o tipo de alteração genética que a equipe do laboratório deveria investigar. A partir daí, os pacientes selecionados clinicamente eram convidados a participar do projeto, e recebiam as orientações sobre todas as etapas, que incluía a coleta da amostra de sangue e o acesso ao resultado. E, somente participavam os que concordavam com a pesquisa, e assinavam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)”, destaca o professor Mota.

Ao ressaltar que a área de investigação genética é muita cara, a professora Déborah Jezini afirmou que a proposta da parceria foi muito bem-vinda. “Por ser professora da UFAM, com doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde, o Mota me convidou a participar de um projeto com genética humana, mais precisamente, na pesquisa das mutações do Diabetes MODY.  Ele me propôs uma parceria científica, na qual eu participaria da avaliação clínica dos pacientes voluntários que, dependendo dos sinais, sintomas e histórico familiar, seriam encaminhados aos exames moleculares específicos realizados no Laboratório de Biotecnologia. Aceitei prontamente, pois a investigação genética é uma área muito cara, sendo ainda pouco acessível à grande parte da população, sendo uma grande oportunidade”, destacou a professora, que assumirá em breve a coordenação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Hospital Universitário Getulio Vargas (HUGV).

Perspectivas

Ela declarou também que a parceria pode ser ainda mais fortalecida com a criação da Residência Médica em Endocrinologia. “Futuramente, pretendemos montar a Residência Médica na área de Endocrinologia e uma das exigências é que haja um Laboratório de Biologia Molecular. A Ufam atende, no Laboratório de Biotecnologia coordenado pelo professor Mota,  todos os requisitos para levarmos essa ideia e a nossa parceria adiante”, afirmou a professora Deborah Jezini.

Pesquisas

Orientada pelos professores Adolfo Mota e Spartaco Astolfi Filho, a doutoranda Lucivana Prata de Souza Mourão pesquisa genes relacionados à resistência a insulina em humanosOrientada pelos professores Adolfo Mota e Spartaco Astolfi Filho, a doutoranda Lucivana Prata de Souza Mourão pesquisa genes relacionados à resistência a insulina em humanosUma das pesquisas que é resultado dessa parceria científica é realizada pela doutoranda da área de Biotecnologia da Rede BIONORTE Lucivana Prata de Souza Mourão. Orientada pelos professores Adolfo Mota e Spartaco Astolfi-Filho, Lucivana pesquisa genes relacionados à resistência a insulina em humanos. “Sabemos que uma das causas da diabetes está relacionada a problemas na ação da insulina. Então, desejamos saber se alterações em genes relacionados a essa ação da insulina poderiam resultar em algum problema que desencadeasse a diabetes tipo 2. Até o momento, nós achamos em nossas amostras uma mutação muito importante  associada a diabetes”, relata a doutoranda.

Ela ressalta ainda que resolveu estender a análise genética à família de um indivíduo da amostra em estudo. “Informamos a uma família que tínhamos achado algo interessante e que desejávamos saber se eles tinham interesse de que procurássemos essa mutação em outros membros da família. A análise do DNA revelou a mutação em outros membros dessa família, inclusive em alguns deles sem a manifestação clínica da diabetes tipo 2. Esses resultados preliminares sugerem a importância de testes genéticos para intervenção de ações de prevenção para a diabetes tipo 2”, ressalta a pesquisadora.