Adesão a Pacto Nacional: Ufam inaugura Banco Vermelho com símbolo de combate ao feminicídio
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) realizou, nesta segunda-feira, 09 de março, a cerimônia de inauguração do Banco Vermelho, no Centro de Convivência da instituição, no Setor Norte do campus sede. A iniciativa, promovida pela Pró-Reitoria de Extensão, marca a adesão institucional ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio e reflete o empenho da instituição com a conscientização e o enfrentamento à violência contra as mulheres.
O Banco Vermelho é um símbolo nacional de mobilização e memória, instalado em locais públicos para provocar reflexão sobre o feminicídio e estimular o debate sobre a proteção da vida das mulheres. Na Ufam, o espaço passa a representar também o posicionamento da universidade em defesa de uma comunidade acadêmica mais segura, respeitosa e comprometida com a equidade de gênero.
Durante a cerimônia, a Pró-Reitora de Extensão da Ufam, professora Flávia Melo, pontuou que o cenário atual do Amazonas e do Pará é alarmante, figurando entre os estados com os maiores índices de violências letais contra a mulher, de tentativas de feminicídio e de violência sexual contra crianças e adolescentes.
Segundo a Pró-Reitora, o Dia Internacional da Mulher deve ser encarado não como uma data comercial, mas como um momento de luta pela sobrevivência. Ela destacou que, mais do que presentes, o desejo das mulheres é a conquista de uma vida com dignidade e livre de violência. Flávia Melo ressaltou que a instalação do Banco Vermelho é um marco físico desse posicionamento institucional: “a cerimônia de inauguração deste banco é clara - na Ufam nós não compactuamos com a violência contra as mulheres. Não queremos que as mulheres sigam sendo mortas ou violadas em suas casas, onde acontece a maior parcela dos assassinatos, ou em qualquer outro lugar por onde circulemos no mundo", afirmou a professora.
Para a reitora, professora Tanara Lauschner, a instalação do Banco Vermelho é uma iniciativa que surgiu no âmbito da Andifes, impulsionada por coletivos de mulheres que monitoram a situação das universidades federais e buscam combater posturas que não condizem com o ambiente acadêmico. "A campanha fala muito por si mesma: é sentar e refletir, levantar e agir. Nossa sociedade precisa refletir sobre algo tão sério quanto o feminicídio", defendeu Tanara.
A reitora destacou que o combate à violência deve ocorrer em todas as instâncias, desde as agressões físicas até as situações cotidianas, como piadas e comentários machistas entre colegas. No âmbito institucional, a reitora anunciou que a universidade já estuda a implementação da Ouvidoria da Mulher e enfatizou que as denúncias de assédio moral e sexual, especialmente aquelas envolvendo a relação entre professores e alunas, estão sendo rigorosamente apuradas pela Corregedoria.
"Os atores dentro da UFAM precisam entender que não haverá impunidade. Faremos todos os processos legais, garantindo o direito ao contraditório, mas seremos firmes", garantiu a reitora.

Simbolismo e Legislação: A Campanha Banco Vermelho
Inspirada no movimento italiano "La Panchina Rossa", a campanha Banco Vermelho utiliza o mobiliário urbano para provocar reflexão. O banco pintado de vermelho funciona como um memorial às vítimas de feminicídio: o espaço vazio representa a ausência das mulheres que tiveram suas vidas ceifadas pela violência de gênero.
A instalação atende às diretrizes da Lei Federal nº 14.942/2024, que integra o projeto às ações do "Agosto Lilás". Além do impacto visual, o banco serve como ferramenta de utilidade pública, contendo frases de impacto e informações de emergência, como o número Ligue 180.
Canais de Ajuda e Denúncia
Se você ou alguém que você conhece está em situação de violência, procure ajuda:
Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (gratuito, confidencial e 24h).
Redes Sociais