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Fragmento florestal da Ufam mantém 700 hectares de floresta amazônica na área urbana de Manaus

Escrito por ascom.ufam | Publicado: Terça, 01 de Setembro de 2026, 16h46 | Última atualização em Terça, 01 de Setembro de 2026, 16h52 | Acessos: 119

Imagem: Marion Litaiff

Quem passa pela Avenida Rodrigo Otávio, em Manaus, consegue observar parte da área de floresta que integra o Campus Senador Arthur Virgílio Filho, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Por trás das edificações e das vias que cercam a Ufam, está um fragmento florestal de cerca de 700 hectares, equivalente a aproximadamente 980 campos de futebol. A área está completamente inserida na malha urbana da capital e reúne floresta amazônica, nascentes, igarapés e espécies da fauna e da flora nativas.

O fragmento integra a Área de Proteção Ambiental (APA) Manáos localizado entre áreas urbanizadas dos bairros Japiim, Coroado, São José e Distrito Industrial, além dos conjuntos Nova República e Eliza Miranda. Uma APA é uma extensa área natural destinada à proteção e conservação dos atributos bióticos (fauna e flora), estéticos ou culturais ali existentes, importantes para a qualidade de vida da população local e para a proteção dos ecossistemas regionais. O gerenciamento do fragmento envolve tanto a administração da Ufam quanto o poder público municipal.

De acordo com o diretor do Centro de Ciências do Meio Ambiente (CCA/Ufam), professor e engenheiro florestal André Mendonça, o principal objetivo de uma Área de Proteção Ambiental (APA) é conservar os processos naturais e a biodiversidade, conciliando a ocupação humana e o uso dos recursos naturais com as características ambientais do território.

“Essas unidades existem para conciliar a ocupação humana da área com o uso sustentável dos seus recursos naturais. O desenvolvimento sustentável orienta as atividades realizadas no território. A presença da floresta dentro do perímetro urbano também interfere nas condições ambientais da cidade. A cobertura vegetal contribui para a regulação do microclima, reduzindo as temperaturas e mantendo a umidade do ar. As nascentes e os igarapés presentes na área participam da formação de microbacias hidrográficas que atravessam Manaus. A manutenção da vegetação ajuda a reduzir processos como erosão e assoreamento e influencia o comportamento das águas nos cursos localizados no entorno”, explicou o engenheiro florestal.

O professor falou ainda que a área reúne trechos de floresta amazônica em terrenos baixos e sujeitos à maior umidade (floresta ombrófila de baixio), além de áreas de terra firme, que não são periodicamente alagadas. “A área também participa do armazenamento de carbono por meio da biomassa florestal e contribui para a filtragem de poluentes atmosféricos. Esses processos estão relacionados à manutenção da qualidade ambiental em uma região submetida à circulação de veículos e à atividade industrial”, destacou.

Biodiversidade em meio à cidade: Floresta como espaço de pesquisa

Mesmo isolado pela expansão urbana, o fragmento mantém populações de espécies da fauna amazônica. Entre os animais registrados estão preguiças, pacas, macacos e sauim-de-coleira, além de crustáceos de água doce encontrados nos igarapés, como camarões e caranguejos. Levantamentos realizados na área também registram diversidade de árvores, palmeiras e insetos ao longo das trilhas que conectam áreas próximas aos bairros ao interior da floresta. 

A biodiversidade existente no campus também é registrada em iniciativas de divulgação científica. A publicação Fauna e Flora da Universidade Federal do Amazonas, editada pela Editora da Ufam (EDUA), reúne informações sobre espécies encontradas na área e contribui para a documentação do patrimônio biológico existente no campus. Na publicação, a docente da Ufam, professora Anete Leite Rubim, explica que as plantas aquáticas herbáceas, também chamadas de macrófitas aquáticas, são espécies que desenvolvem todo ou parte do seu ciclo de vida na água. 

“Na Amazônia Central, há registros de aproximadamente 400 espécies de macrófitas aquáticas. A maior diversidade ocorre em ambientes de água branca, como as várzeas, enquanto a menor é encontrada em ambientes de água preta. Essas plantas podem ser classificadas de acordo com a forma como vivem na água: há espécies livres ou fixas submersas, espécies fixas com folhas flutuantes ou emergentes e espécies livres flutuantes. Além da importância ecológica, as macrófitas são utilizadas em diferentes atividades, como o tratamento de efluentes, fins medicinais, aquariofilia e alimentação, além de contribuírem para a proteção e estabilização das margens dos rios e para a oferta de nutrientes a animais que se alimentam de plantas e matéria orgânica”, disse.

O diretor do CCA/Ufam, professor André Mendonça, informou também que o fragmento é utilizado como área de pesquisa e ensino por diferentes unidades da Ufam. “Entre as áreas que desenvolvem atividades no local estão a Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) e o Instituto de Ciências Biológicas (ICB), além de programas de pós-graduação vinculados a essas unidades. Projetos e pesquisas também envolvem áreas como Geografia, Geologia, Engenharias Civil e Ambiental, Antropologia, Ciências Sociais, Administração e Comunicação. O fragmento funciona, nesse contexto, como espaço de observação de espécies, processos ecológicos e relações entre ambiente urbano e floresta”, contou.

Riscos e Ameaças

Por estar cercado por cidade em todas as direções e sem corredores ecológicos remanescentes monitorados, o fragmento da Ufam é um caso extremo de isolamento genético e ecológico.“Trata-se de um fragmento de floresta amazônica inserido em uma área urbana e cercado pela cidade, o que aumenta sua vulnerabilidade aos efeitos de borda e à perda de conectividade com outras áreas de vegetação. O fragmento também sofre pressão de ocupações irregulares no entorno, o que torna sua gestão um desafio tanto para o município quanto para a administração da Ufam”, finalizou o diretor do CCA.

 

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