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Fazenda Experimental integra programação da Expoagro 2026 com exposição de búfalas e apresentação de projetos

Escrito por ascom.ufam | Publicado: Quarta, 19 de Agosto de 2026, 17h29 | Última atualização em Quarta, 19 de Agosto de 2026, 17h29 | Acessos: 113

A Fazenda Experimental (Faexp) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) está participando da 48ª edição da Exposição Agropecuária do Amazonas (Expoagro). A Faexp marca presença no evento até 23 de agosto com a exposição de búfalas e apresentação institucional e de projetos de pesquisa e de extensão desenvolvidos no órgão suplementar da universidade.

Na avaliação do diretor da Fazenda, o médico veterinário Hugo Perdigão, a participação da Faexp na Expoagro é uma oportunidade de difundir a contribuição do órgão na pesquisa agropecuária do Amazonas. “A gente está divulgando todas as pesquisas que realizamos. Pesquisa com bubalinos, com a suinocultura, com a ovinocultura, com a questão florestal. Ou seja, toda a contribuição que a Fazenda traz para o setor primário do estado do Amazonas”, explicou o gestor.

No primeiro dia da Faex na exposição, 17/8, o secretário da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), Ricelli Viana Pontes, esteve presente na baia dos animais da Fazenda e conheceu os projetos desenvolvidos. 

A principal atração da Faexp na Expoagro é a exposição de três búfalas, oriundas da Embrapa Amazônia Oriental, sendo duas da raça mediterrânea e uma da raça murrah. Apesar do tamanho que pode assustar, as búfalas são dóceis, permitindo e até buscando o contato com humanos. Elas são matrizes reprodutoras que se destacam pelo porte e pela produção de leite. 

“São animais que trouxeram uma genética diferenciada para o Amazonas. A expectativa é que esses animais tenham maior produção leiteira, já que tiveram seleção genética com esse intuito, realizada pela Embrapa Amazônia Oriental, e também são animais que têm um ganho de peso corporal interessante para a questão da carne. O Amazonas tem o terceiro maior rebanho de búfalo no Brasil. Então, essas características são muito importantes”, destacou Hugo Perdigão. Ao todo, a Fazenda possui 15 fêmeas de búfalo, três machos e três bezerras fêmeas.

Contato com a prática

A participação da Faexp na Expoagro também foi aproveitada como aula de campo para estudantes do curso de Zootecnia da Ufam. As atividades foram realizadas pela disciplina de Bubalinocultura, ministrada pelo professor Fábio Jacobs, e pela disciplina de Produção de Ruminantes, ministrada pela professora Graziela Aparecida Santello.

O professor Fábio Jacobs ressaltou a relevância dos bubalinos no cenário agropecuário brasileiro. O docente explicou que os produtos oriundos dos búfalos são superiores em qualidade em relação aos de origem bovina. “O leite tem 30% menos colesterol e é um leite com mais rendimento. Para fazer um quilo de queijo frescal, por exemplo, eu preciso de dez litros de leite de vaca, mas eu preciso somente de quatro litros de leite de búfala. Tem mais vitaminas e minerais. E na carne não é diferente. A carne de búfalo chega a ter 55% menos calorias do que a carne bovina. Isso agrega muito valor à produção. Nosso mercado aqui ainda está começando”, explicou o docente ao ressaltar que a bubalinocultura é uma área promissora para a atuação dos futuros de zootecnista, agrônomos e engenheiros de alimentos.

A professora Graziela Aparecida Santello lembrou que, em edições anteriores da Expoagro, não havia a exposição de búfalos. Com a participação da Fazenda, a docente acredita que houve mais incentivo e o aumento da presença desses animais no evento.

Durante a aula de campo, a professora abordou o manejo de ruminantes. Ela explicou que ainda persistem alguns mitos sobre a criação de búfalos: “Existe a ideia de que os búfalos são animais selvagens, que matam pessoas. Confundem muito com os chamados búfalos-africanos, que é uma espécie totalmente diferente. A característica dos búfalos domésticos é a docilidade. Então a gente aborda isso para os alunos vivenciarem o que é um bom manejo. Quando bem manejados, os búfalos são tranquilos, gostam de rotina. Tem raças específicas para corte, raças específicas para leite. É isso que a gente vem demonstrar com os búfalos da Fazenda Experimental”.

Para os estudantes, a ida à Expoagro e o contato com a Fazenda Experimental é um momento importante de experiência prática. “Eu não tinha conhecido ainda a raça de búfalos que possui uma coloração diferente e aqui eu vi. É também uma oportunidade de nós, estudantes de Zootecnia, vermos animais de outras espécies, como bovinos e caprinos. Além de que aqui podemos fazer contato com produtores”, disse a estudante Jéssica Silva Castello Branco.

O aluno Raul Aquino avaliou positivamente a experiência: “A gente amplia nosso conhecimento. Temos a aula teórica na sala de aula, mas, quando a gente vai para o campo, é uma coisa totalmente diferente. A gente vê como eles estão sendo bem tratados, bem alimentados. Isso é fundamental para quem trabalha na produção animal”. 

Pesquisa e inovação na Faexp

Na Expoagro, a Faexp está apresentando os projetos desenvolvidos no órgão. Quando se pensa em búfalo e café, parece algo totalmente sem conexão. Mas, na Fazenda Experimental da Ufam, eles se conectam por meio da pesquisa e da inovação. O professor Fábio Jacobs orienta dois projetos de iniciação científica que utilizam a casca do café plantado na Fazenda, um resíduo até então descartado, para a alimentação dos búfalos. 

As pesquisas são intituladas “Casca de café na dieta de búfalas Murrah e Mediterrâneo: efeitos sobre produção e composição centesimal do leite”, desenvolvida pela bolsista Laenes Sousa Silva, e “Aproveitamento da casca de café na dieta concentrada e seus efeitos no desempenho de bezerros de bubalinos (Bubalus bubalis) submetidos aos creep feeding”, da bolsista Sara Reis Auzier. 

Fábio Jacobs explica que as pesquisas utilizam a casca do café, do tipo robusta amazônico, em substituição ao farelo de soja, que é mais caro para comprar no Amazonas. Os projetos buscam verificar se o uso da casca traz contribuições para o desenvolvimento dos bezerros e na lactação das búfalas. No caso do leite, o professor Fábio Jacobs informou que também são avaliados, além da quantidade, o teor de proteínas, de gordura e sólidos totais. “É um experimento com 25%, 35% e 45% de substituição do farelo de soja. São quatro tratamentos e todas as búfalas passarão por eles”, completou.

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