Seletor idioma

Ir direto para menu de acessibilidade.
Página inicial > Notícias > Ufam recebe supercomputador para impulsionar pesquisas em inteligência artificial e inovação na Amazônia
Início do conteúdo da página

Ufam recebe supercomputador para impulsionar pesquisas em inteligência artificial e inovação na Amazônia

Acessos: 329

Na manhã desta quarta- feira, 1 de julho, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) realizou a cerimônia de anúncio do recebimento de um supercomputador voltado ao desenvolvimento de pesquisas em inteligência artificial. O evento ocorreu no Auditório do Instituto de Computação (IComp), localizado no setor Norte do campus sede. 

A iniciativa é resultado da parceria entre a Ufam, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Intel, que disponibilizou o equipamento em doação para apoiar a pesquisa científica, o desenvolvimento tecnológico e a formação de recursos humanos em inteligência artificial no Brasil. O equipamento, um servidor de alto desempenho baseado na plataforma Intel Gaudi 3, ampliará a infraestrutura computacional da Ufam e permitirá o desenvolvimento de pesquisas que demandam grande capacidade de processamento de dados, especialmente, inteligência artificial (IA), aprendizado de máquina (machine learning), computação de alto desempenho (HPC).

De acordo com a reitora da Ufam, professora Tanara Lauschner, esta é uma grande conquista não apenas para a Ufam, mas também para o desenvolvimento da ciência e tecnologia na região. “Hoje, a pesquisa e a inovação dependem fortemente da inteligência artificial. É crucial que a Ufam possua uma infraestrutura que permita ajustar modelos à nossa realidade e aos nossos desafios específicos. Pesquisas de pós-graduação em bioeconomia, saúde, biodiversidade, clima, hidrologia, entre outras, terão impactos significativos com a chegada desse supercomputador. Essa infraestrutura terá capacidade de treinar modelos e obter resultados que seriam difíceis de alcançar com modelos não adaptados à nossa região”, explicou. 

Durante a solenidade, o coordenador geral de Programas e Projetos Para Amazônia da Subsecretaria de Ciência e Tecnologia para a Amazônia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Eliomar Mota Da Cunha, falou que a incorporação dessa infraestrutura de ponta à Ufam impulsionará a pesquisa, a inovação tecnológica e a formação de recursos humanos qualificados. “É crucial que desenvolvamos nossa própria definição e estrutura de inteligência artificial nacional para evitar a dependência de estruturas externas e asseguramos a soberania nacional”, destacou.

O representante do Ministério da Educação (MEC) e coordenador-geral de políticas para a juventude do MEC, Yann Evanovick, falou da satisfação de participar deste momento que simboliza o compromisso do Governo Federal com a educação, a ciência e a tecnologia como pilares para o desenvolvimento do país. “O Ministério da Educação trabalha para fortalecer parcerias com as universidades e institutos federais, promovendo a equidade e ampliando oportunidades, especialmente para a Amazônia e o Nordeste. Que este novo supercomputador represente mais um passo rumo à soberania científica e tecnológica do Brasil”, ressaltou. 

Sobre o supercomputador

O servidor é um Dell PowerEdge XE9680, desenvolvido para processamento de aplicações de alto desempenho em IA. A configuração inclui dois processadores Intel Xeon de 5ª geração, oito aceleradores Intel Gaudi 3, interligados por rede Ethernet de alta velocidade (RoCE), 1 terabyte (TB) de memória DDR5 e até 1,5 TB de memória HBM integrada aos aceleradores. O equipamento possui formato de servidor em rack de 6U, peso líquido de 110 quilos e peso bruto de 114 quilos.

Segundo o diretor do Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação (CTIC/Ufam), Diogo Soares Moreira, a chegada de um supercomputador desse porte além do ensino e da pesquisa fortalecerá iniciativas estratégicas institucionais da Universidade, entre elas o desenvolvimento de um chat institucional baseado em LLMs, agentes pedagógicos integrados à IA do Sistema Sauim e outras pesquisas voltadas à transformação digital e à inovação na Ufam. 

“A estrutura fortalece a autonomia da Instituição no desenvolvimento e uso de soluções baseadas em inteligência artificial, além de ampliar o suporte a projetos acadêmicos, sistemas institucionais e iniciativas de pesquisa e inovação. Compartilhada entre as unidades da Ufam e parceiros, essa infraestrutura cria novas oportunidades para o desenvolvimento de aplicações voltadas ao contexto institucional, consolidando a universidade como referência em inovação tecnológica na região”, ressaltou. 

Pesquisa e desenvolvimento tecnológico

Para a representante do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA),  Andréa Correia, o anúncio do recebimento de um supercomputador de alto desempenho da Intel representa a ampliação da capacidade científica e tecnológica instalada na Amazônia e a criação de novas possibilidades para o desenvolvimento de pesquisas avançadas. “A Amazônia gera diariamente uma quantidade extraordinária de informações científicas, dados sobre biodiversidade, clima, florestas, saúde, bioeconomia, recursos naturais e dinâmicas sociais. Transformar esses dados em conhecimento, soluções e políticas públicas exige infraestrutura computacional, equipes qualificadas e, sobretudo, cooperação entre as instituições. Nesse sentido, essa iniciativa beneficia não apenas a Ufam, mas todo o ecossistema regional de ciência, tecnologia e inovação. 
Abre oportunidades para projetos colaborativos e formação de profissionais altamente especializados em desenvolvimento de soluções para os desafios concretos da Amazônia”, destacou.

A Ufam passa a contar com uma estrutura capaz de impulsionar estudos voltados a temas estratégicos para a região, como monitoramento ambiental. De acordo com o pesquisador da área de Clima e professor da Ufam, Eron Bezerra, o volume de dados produzidos diariamente por determinadas pesquisas exigem uma infraestrutura computacional de alto desempenho para ser armazenado, processado e transformado em conhecimento científico. 

“Meu trabalho na área de clima envolve uma rede de equipamentos instalada em aproximadamente 13 estações meteorológicas e sismológicas distribuídas por diferentes regiões, como São Gabriel da Cachoeira, Almeirim e Parintins. O que fazemos com essa estrutura? Coletamos dados para avaliar o potencial de energia solar de cada uma dessas regiões. O objetivo final desse projeto é contribuir para a transformação da matriz energética do estado do Amazonas, oferecendo informações científicas que apoiem a expansão de fontes renováveis de energia. Hoje, já dispomos de uma base de dados bastante consistente. Cada estação gera aproximadamente 3.600 registros por hora. Quando projetamos esse volume para um dia inteiro e somamos os dados das 13 estações, chegamos a mais de um milhão de registros diariamente. Para o supercomputador esse processamento é relativamente simples, no entanto, para computadores convencionais, lidar com esse volume de informações é um grande desafio. Com essa infraestrutura, conseguimos obter informações ainda mais detalhadas e aumentar a qualidade das análises”, finalizou o docente.

 

registrado em: ,
Fim do conteúdo da página