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ISB/Ufam promove atividades em comemoração ao Mês do Orgulho LGBTQIAPN+

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Calendário incluiu a instalação de um mural interativo no hall do Instituto, uma roda de conversa sobre formação e mercado de trabalho e a exibição de um longa com o tema da Interssexualidade

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Durante o mês de junho, o Instituto de Saúde e Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas (ISB/Ufam), em Coari, promoveu uma série de ações alusivas ao Orgulho LGBTQIAPN+. Neste dia 28, domingo, a celebração internacional marca a data em que ocorreu a Rebelião de Stonewall na cidade de Nova Iorque (EUA), em 1969, quando a comunidade LGBT reagiu à violência policial e iniciou um movimento por direitos.

Em sua primeira edição no ISB/Ufam, o calendário comemorativo ao Mês do Orgulho LGBTQIAPN+ foi organizado pelas Ligas Acadêmicas de Ensino de Biologia (Laeb) e Interdisciplinar de Educação em Saúde (Laies) em conjunto com a coordenação local do AfirmaSUS, Programa Nacional de Apoio à Permanência, Diversidade e Visibilidade para Discentes na Área da Saúde, vinculado ao Ministério da Saúde.

As atividades ocorreram sob a liderança do(a) professor(a) Túlio Silva, vice-coordenador(a) da Laeis e tutor(a) do AfirmaSUS no âmbito daquele Instituto, e do professor Fernando Luz, coordenador da Laeb. A respeito da importância da temática no contexto da saúde, o(a) professor(a) Túlio Silva destaca o papel da educação e da conscientização ampliada. “Essas frentes estão integradas para focar na redução das desigualdades, promover a inclusão de estudantes e fortalecer grupos historicamente marginalizados. Discutir esse tema contribui para a formação de profissionais da saúde mais sensíveis e inclusivos”, diz.

“Disseminar dados e fatos (verdadeiros) sobre saúde é crucial, especialmente considerando as barreiras históricas enfrentadas pela população LGBT, como o acesso limitado a serviços e informações essenciais. [...] O acesso mínimo aos serviços de saúde que temos hoje é fruto da luta histórica e coletiva de pessoas LGBTQIAPN+. Ao longo do tempo, essas pessoas se mobilizaram para garantir o que deveria ser um direito básico: o acesso à saúde e à qualidade de vida”, ressalta o(a) docente.

Segundo o professor Fernando Luz, na área da educação, onde está inserida a Laeb, esse debate é relevante para a formação de professores, eles serão quem, muitas vezes, vai acolher o estudante LGBTQIAPN+ e identificar as situações que merecem intervenção no contexto escolar. “Isso é crucial na formação de educadores. Os professores têm o papel de olhar com cuidado e dar o encaminhamento necessário após qualquer situação”, afirma.

“Em virtude do Mês do Orgulho, procuramos nos envolver com essa temática e criar ações de visibilidade. Abordar essa questão é crucial, inclusive porque ainda existe muito desconhecimento da população. Se perguntarmos o que representa cada letra da sigla LGBTQIAPN+, muitas pessoas não sabem dizer. Além disso, é preciso evitar situações de preconceito e fazer com que alguns estudantes dentro da sigla se sintam mais acolhidos”, enfatiza o líder da Laeb e coorganizador das ações.

Bandeira, debate e cinema

A comemoração abrangeu um ciclo de atividades a respeito de educação e diversidade, desde a instalação de um mural interativo no hall do Instituto até a exibição de um longa com o tema da Interssexualidade. 

O painel, instalado no dia 11, permanecerá exposto por algum tempo. Ele exibe informações como o Dossiê da Antra (2026), com os números de assassinatos da população trans no Brasil. O documento alerta para o fato de o Brasil ser o país que mais mata pessoas transgênero e travestis. “Infelizmente, houve dois episódios de vandalismo contra a iniciativa, com frases desnecessárias, que foram repudiadas no âmbito institucional”, denuncia Túlio Silva.

Uma das propostas é a de que, nesse espaço aberto, as pessoas possam escrever seus relatos de orgulho. “Nós colocamos a bandeira bem ao lado do mural; e ela está muito bonita para tirar fotos e fazer a comunidade interagir”, convida o professor Fernando Luz.

No dia 15 de junho, ocorreu a roda de conversa “Falas de Orgulho” com a participação de pessoas LGBTQIAPN+, que partilharam experiências ao longo da trajetória acadêmica, desde a graduação até a pós-graduação, e também sobre como é estar no mercado de trabalho na condição de pertencentes à sigla.

Foram convidados(as) para esse debate Michele Pires, a primeira travesti doutora pela Ufam e, atualmente, pesquisadora bolsista no Programa Fortalece SUS, da Fiocruz Amazônia; Miguel Afonso da Costa Pontes, primeiro homem trans egresso do curso de Enfermagem do ISB; e Diego Rafael Lima Batista, que é farmacêutico.

“Essa roda de conversa mostrou que nós podemos ocupar sim - e vamos ocupar - esses espaços. A realização de eventos como esse está alinhada às diretrizes do Ministério da Saúde desde 2013; então, porque os docentes não estão trazendo a temática? Outro aspecto abordado é o de que todas as pessoas, LGBTs ou não, deveriam incluir essa pauta de luta e visibilidade nas atividades acadêmicas. Nós precisamos de pessoas heterossexuais lutando com a gente”, declara Túlio Silva.

Já no último dia 21, foi exibido o filme argentino “XXY”, longa que aborda a temática das pessoas intersexuais, a letra “I” do “LGBTQIAPN+”. A coordenação avaliou como positivo o debate realizado após a sessão de cinema, quando as dúvidas do público puderam ser esclarecidas.

No encerramento, os organizadores partilharam reflexões com a comunidade universitária. “Ainda que a adesão tenha sido limitada, foi a primeira experiência com um evento voltado especificamente para o Mês do Orgulho, e nós fizemos o possível para disseminar a mensagem e promover a inclusão, plantando a semente da diversidade e do respeito”, disse o(a) professor(a) Túlio Silva, ao recordar que, num passado não muito distante, discussões como essa eram um verdadeiro tabu.

Saldo positivo

“O debate enfatizou a importância de celebrar o mês de junho, e o público principal foi a comunidade acadêmica do ISB da Ufam, incluindo todos os estudantes, docentes e trabalhadores do Campus de Coari. A participação do público externo também foi incentivada. Muitos participantes são pessoas vinculadas às ligas acadêmicas Laeb e Laies e ao AfirmaSUS e que não se identificam como LGBTQIAPN+. Esse é um resultado importante”, avalia o professor Fernando Luz, ao frisar a adesão de pessoas fora da sigla, garantindo visibilidade ao Mês do Orgulho. “Nós plantamos uma semente, e o principal é não deixar uma data tão significativa passar despercebida”, completa.

“Esses momentos nos permitiram estimular reflexões sobre a pluralidade e a diversidade das pessoas [...] Estamos contribuindo para a formação de futuros profissionais da saúde e da educação que oferecerão cuidados humanizados, livres de discriminação e atentos aos princípios da universalidade, da equidade e da integralidade. Ficamos satisfeitos com a realização do Mês do Orgulho no ISB e confiantes de que isso contribuirá para partilharmos um ambiente mais acolhedor e inclusivo”, finalizou Túlio Silva.

(Re)Conhecimento

A propósito, os significados das letras expressas na sigla são estes: L (Lésbicas): mulheres que sentem atração afetiva ou sexual por outras mulheres; G (Gays): Homens que sentem atração afetiva ou sexual por outros homens; B (Bissexuais): pessoas que sentem atração afetiva ou sexual por mais de um gênero; T (Transgêneros / Transexuais): pessoas que se identificam com um gênero diferente daquele que lhes foi atribuído ao nascer; Q (Queer): pessoas que não seguem os padrões tradicionais de gênero ou sexualidade; I (Intersexuais): pessoas que nascem com características sexuais (hormônios, genitais ou cromossomos) que não se encaixam nas definições típicas masculinas ou femininas; A (Assexuais / Arromânticas / Agêneros): pessoas que sentem pouca ou nenhuma atração sexual (assexuais), atração romântica (arromânticas) ou que não se identificam com nenhum gênero (agêneros); P (Pansexuais): pessoas que sentem atração por outras independentemente do gênero delas; N (Não-bináries): pessoas cuja identidade de gênero não se encaixa no modelo tradicional feminino/masculino; e + (Mais): outras identidades e orientações sexuais não representadas nas letras.

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