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Cecane/Ufam promove seminário sobre Alimentação Escolar Quilombola e reúne pesquisadores, estudantes e profissionais para troca de experiências

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Evento discutiu a presença da cultura alimentar quilombola nas escolas e a valorização dos saberes tradicionais no âmbito da alimentação escolar

 

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) sediou, nesta segunda-feira, 15 de junho, o Seminário sobre Alimentação Escolar Quilombola: Troca de Experiências. Promovido pelo projeto CulinAfro, em parceria com o Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição Escolar da Ufam (Cecane/Ufam), o evento reuniu pesquisadores, estudantes, nutricionistas, gestores, profissionais da educação e representantes da alimentação escolar para discutir a valorização da cultura alimentar quilombola no ambiente escolar.

A programação foi composta por uma roda de conversa voltada ao compartilhamento de experiências e à discussão sobre a presença dos saberes, alimentos e práticas culinárias tradicionais das comunidades quilombolas na alimentação escolar. O encontro também apresentou reflexões sobre os desafios e as possibilidades de fortalecimento dessas práticas por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

A coordenadora do Cecane/Ufam, professora Celsa da Souza, destacou a importância da participação das comunidades na construção das políticas públicas voltadas à alimentação escolar. “Quando a população mostra que conhece seus direitos e participa das decisões, a condução das políticas públicas acontece de forma mais fácil. É diferente quando o território vivo fala por si e apresenta aquilo que realmente precisa”, afirmou.

Segundo a professora, as identidades culturais e alimentares já estão presentes nos territórios e precisam ser reconhecidas pelos gestores e profissionais envolvidos na elaboração das políticas públicas. “Essa identidade já está no território. Não somos nós que a construímos; precisamos reconhecê-la e aprender com ela”, completou.

A nutricionista, docente, pesquisadora e integrante do Culinafro, Célia Patriarca, ressaltou a importância dos espaços de diálogo para a construção coletiva do conhecimento. “A gente não aprende sozinho. A aprendizagem é coletiva, e é nesse processo que construímos reflexões, discutimos estratégias e avançamos na construção de uma alimentação qualificada dentro do espaço escolar”, destacou.

Para a pesquisadora, o seminário permitiu ampliar o debate sobre alimentação escolar quilombola e fortalecer o compromisso dos participantes com a formulação de estratégias educativas e políticas que contribuam para a qualificação da alimentação oferecida nas escolas.

Sobre o Culinafro

O Culinafro é um projeto de extensão e grupo de pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), criado em 2014 e coordenado pela professora Rute Ramos da Silva Costa. O grupo está inscrito no Diretório de Grupos de Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Suas atividades estão organizadas em cinco linhas de pesquisa: culinárias africanas; alimentação e cultura afro-brasileira; alimentação escolar e saúde quilombola; educação alimentar e nutricional, educação popular e promoção da saúde; e saberes e práticas tradicionais de cuidado em saúde.

Entre as iniciativas desenvolvidas pelo grupo está a elaboração do material educativo Alimentação Escolar Quilombola: orientações baseadas em experiências e narrativas dos quilombos e das escolas, construído de forma participativa com comunidades quilombolas de diferentes regiões do país e profissionais envolvidos com a alimentação escolar.

O seminário integrou as ações de promoção do diálogo entre universidades, comunidades tradicionais e profissionais que atuam na execução das políticas públicas de alimentação escolar, com foco na valorização dos saberes e das práticas alimentares quilombolas.

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