Ufam tem projeto aprovado em edital nacional da Rede HU+ para fortalecer a atenção à saúde indígena, ribeirinha e quilombola no Amazonas
Coordenada pelo Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina, iniciativa integra telessaúde, formação profissional e pesquisa para ampliar a resolutividade da Atenção Primária à Saúde em municípios indígenas e comunidades tradicionais
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) teve aprovado o projeto “A participação de programas de educação permanente e o uso de telessaúde com especialista para melhora da resolutividade da APS em municípios indígenas do Amazonas” no Edital Conjunto nº 4/2025 da Rede de Pesquisa e Extensão dos Hospitais Universitários Federais (Rede HU+), promovido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), HU Brasil e Ministério da Saúde.
A pesquisa será desenvolvida pela Ufam, tendo como instituição parceira principal o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam/HU Brasil). O projeto é coordenado pela professora Celsa da Silva Moura Souza, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina da Ufam, e conta com a vice-coordenação da professora Miharu Maguinoria Matsuura Matos, docente da Faculdade de Medicina e chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e da Inovação Tecnológica em Saúde do HUGV. A proposta fortalece a integração entre universidade e hospital universitário em ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas à qualificação da Atenção Primária à Saúde (APS) em municípios urbanos, ribeirinhos, indígenas e quilombolas do Amazonas.
A proposta, coordenada pelo Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina da Ufam, foi aprovada no eixo estratégico “Saúde de populações em situação de vulnerabilidade”, obtendo nota final de 92,23. O projeto contará com R$ 831.600,00 em financiamento, sendo R$ 681.600,00 destinados a bolsas de iniciação à extensão, mestrado, doutorado e pós-doutorado, além de R$ 150 mil para custeio das atividades previstas na proposta.
Objetivos do projeto
Entre os principais objetivos está a avaliação do impacto da telessaúde, da educação permanente (Una-Sus) e das tecnologias digitais na ampliação da capacidade de resolução dos serviços de saúde nos territórios atendidos. O estudo prevê a implementação e análise de teleconsultorias, teleinterconsultas, telediagnósticos e atividades de teleducação, além do acompanhamento de indicadores relacionados à qualidade da assistência e à redução de encaminhamentos evitáveis.
Um dos diferenciais da proposta é a construção de fluxos assistenciais voltados à população indígena, articulando a Atenção Primária à Saúde, os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) e o HUGV. A iniciativa prevê o desenvolvimento de protocolos e estratégias para qualificar o atendimento desses pacientes quando necessitarem de assistência especializada no hospital universitário.
Também está prevista a melhoria do registro e da qualificação das informações dos usuários indígenas no Aplicativo de Gestão para Hospitais Universitários (AGHUx), sistema utilizado pela rede Ebserh. A expectativa é contribuir para a organização do cuidado, o monitoramento de indicadores e a tomada de decisão baseada em dados para melhorar a qualidade da assistência ofertada pelo hospital universitário.
Outro aspecto do projeto é o fortalecimento da articulação entre a Atenção Primária e a atenção especializada por meio da telessaúde ao realizar educação permante com uso das estrategias desevolvidas pelo Una-sus/UFAM. A estratégia permitirá que equipes de saúde tenham acesso ao suporte de especialistas antes do encaminhamento presencial ao hospital, qualificando o cuidado, reduzindo deslocamentos desnecessários e ampliando o acesso da população indígena e de comunidades tradicionais aos serviços especializados de qualidade e referencia.
O projeto integra iniciativas já desenvolvidas pela Universidade, como o Telessaúde Ufam/HUGV, o PET-Saúde 2025 – Saúde Digital e Interprofissionalidade e o projeto PPSUS que avalia o impacto do Programa Mais Médicos em comunidades tradicionais. O projeto também contará com a participação de programas de pós-graduação da Ufam, entre eles o Mestrado Profissional em Cirurgia (PPGRACI), o Mestrado Profissional em Saúde da Família (ProfSaúde), o Programa de Pós-Graduação em Enfermagem no Contexto Amazônico, que mantém turmas em São Gabriel da Cachoeira, município com a maior população indígena do país, o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCIS), além de programas de doutorado da área da saúde voltados à produção de conhecimento sobre a realidade amazônica e do Instituto de Computação da Ufam (IComp).
“A proposta articula diferentes iniciativas desenvolvidas pelo Núcleo Acadêmico-Técnico-Científico de Telessaúde da Amazônia (NTSA) desenvolvidas pela Ufam para fortalecer a Atenção Primária à Saúde na Amazônia. Reunimos ações de telessaúde, formação profissional, pesquisa e extensão em uma rede que envolve o HUGV, programas de pós-graduação e projetos estratégicos da Universidade. O objetivo é produzir conhecimento e, ao mesmo tempo, contribuir para a qualificação do cuidado em municípios urbanos, ribeirinhos, indígenas e quilombolas do Amazonas”, afirma a coordenadora do projeto, professora Celsa da Silva Moura Souza, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina da Ufam.
A expectativa é que os resultados contribuam para consolidar uma rede estruturada de telessaúde no Amazonas, fortalecer a formação de profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), ampliar o acesso da população indígena e de comunidades tradicionais aos serviços especializados e gerar evidências científicas para subsidiar políticas públicas de saúde na região.
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