Ufam participa de capacitação de profissionais da saúde em São Gabriel da Cachoeira por meio do Telessaúde e TelePNAR
Programação reuniu profissionais da rede local para discutir pré-natal de alto risco, telemonitoramento, urgências obstétricas e fortalecimento da linha de cuidado materna em territórios indígenas

O Telessaúde Ufam e o TelePNAR participaram, entre os dias 20 e 22 de maio, de uma ação de capacitação de profissionais da saúde em São Gabriel da Cachoeira. A atividade integrou a programação do Comitê de Enfrentamento à Violência Obstétrica da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), liderado pelas defensoras públicas Caroline Pereira e Suelen Paes, e reuniu profissionais, instituições parceiras e equipes da rede local para discutir estratégias voltadas à assistência materna, ao acompanhamento de gestantes de alto risco e ao fortalecimento da rede de cuidado em saúde.
A programação teve como foco a qualificação de profissionais da atenção básica e hospitalar, a organização de fluxos de referência e contrarreferência e a ampliação do telemonitoramento em regiões indígenas e territórios de difícil acesso. A ação deu continuidade às atividades desenvolvidas pelo Comitê desde 2022 para discutir estratégias relacionadas à redução da mortalidade materna e infantil na região.
A participação da Ufam ocorreu por meio do Telessaúde e do TelePNAR, projeto voltado ao telemonitoramento obstétrico para pré-natal de alto risco. Profissionais das duas iniciativas participaram de mesas-redondas, atividades de formação e discussões técnicas sobre estratégias de acompanhamento remoto, assistência obstétrica e integração entre os serviços de saúde.
No primeiro dia, a programação incluiu atividades relacionadas à organização do pré-natal nos territórios indígenas e em regiões de difícil acesso. Foram discutidos temas como diagnóstico da gestação, cronograma de consultas, imunização, saúde mental materna, vigilância do óbito materno, participação do parceiro no pré-natal e planejamento familiar.
A médica obstetra e coordenadora do TelePNAR, Dra. Ione Brum, integrou a programação técnica e participou das discussões sobre assistência materna. A mesa-redonda sobre a organização do pré-natal nos territórios indígenas teve moderação da médica obstetra Danielle Monteiro, do TelePNAR. Também participaram profissionais do Telessaúde Ufam, entre eles a nutricionista e coordenadora do projeto, Celsa Souza, responsável pela atividade sobre nutrição materna na gestação e sua relação com a saúde materno-infantil.
Além da programação científica, a agenda incluiu visita técnica à Casa de Saúde Indígena (CASAI), onde foram acompanhadas as condições de acolhimento e atendimento às mulheres indígenas. Durante a atividade, foram apresentadas dificuldades relacionadas ao acesso aos serviços de saúde, especialmente em situações envolvendo gestantes e populações em áreas remotas. As discussões buscaram compreender os fluxos existentes de apoio e atendimento e identificar pontos para construção de protocolos e fortalecimento da articulação institucional.
"A capacitação realizada em São Gabriel da Cachoeira tem como objetivo orientar os profissionais de saúde que atuam diretamente no cuidado às gestantes para a identificação precoce de fatores de risco. A proposta é fortalecer a condução do pré-natal e contribuir para a prevenção de desfechos desfavoráveis, tanto para a mãe quanto para o bebê. Além da qualificação, também discutimos fluxos e estratégias que precisam ser estruturados para ampliar a assistência e melhorar os resultados do cuidado materno-infantil", afirmou a coordenadora do TelePNAR, Dra. Ione Brum.
No segundo dia, a programação incluiu debates sobre saberes tradicionais e atenção obstétrica, telemonitoramento em territórios remotos, prevenção da transmissão vertical de infecções e fortalecimento da linha de cuidado materno-infantil.
A enfermeira Carlem Gonçalves, do Telessaúde Ufam e TelePNAR, conduziu a atividade "Telemonitoramento em territórios remotos: ampliando o acesso e a continuidade do cuidado", abordando classificação de risco, atuação do TelePNAR em populações indígenas e ribeirinhas e o uso do Telessaúde como ferramenta de apoio à conduta clínica e ao diagnóstico.
Também fizeram parte da programação atividades em rádio com a população local e visitas ao Hospital de Guarnição de São Gabriel da Cachoeira (HGuSGC), referência para atendimentos de média complexidade no município. Os encontros permitiram ampliar o diálogo sobre os desafios relacionados ao atendimento materno e ao acesso à assistência em áreas remotas.
No terceiro dia, a coordenadora do TelePNAR, Dra. Ione Brum, conduziu atividades voltadas ao reconhecimento precoce do risco gestacional e à tomada de decisão para remoção de pacientes em territórios indígenas. A programação abordou fatores de risco, sinais de alerta, critérios clínicos para remoção imediata, fluxos de referência e desafios logísticos relacionados à assistência em áreas remotas.
As médicas Danielle Monteiro, Ione Brum e Rossiclei Pinheiro também conduziram atividades sobre hipertensão na gestação, hemorragia pós-parto, emergências obstétricas precoces, complicações obstétricas tardias e assistência ao parto seguro.
Durante a programação, o telemonitoramento foi apresentado como estratégia para ampliar o acesso ao cuidado e fortalecer a integração entre Unidades Básicas de Saúde, Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), equipes multidisciplinares e serviços de referência.
Para a médica obstetra do TelePNAR, Dra. Danielle Monteiro, a articulação entre instituições é necessária para garantir a assistência às gestantes de alto risco. "A integração entre as instituições é fundamental para o atendimento das gestantes de alto risco, porque esse cuidado depende de uma rede estruturada. É necessário garantir acesso ao hospital, atendimento ambulatorial, exames e acompanhamento contínuo. Essa articulação entre os serviços é essencial para que a assistência aconteça de forma adequada", destacou.
Sobre a importância da ação realizada em São Gabriel da Cachoeira, a médica ressaltou que a iniciativa permitiu identificar desafios locais e discutir encaminhamentos para qualificar a assistência."A programação permitiu conhecer a realidade das gestantes, especialmente das mulheres atendidas em áreas remotas e em situações de maior vulnerabilidade. A partir desse diagnóstico, torna-se possível discutir estratégias e construir medidas que contribuam para qualificar o atendimento e fortalecer os direitos das gestantes", afirmou.
As atividades também avançaram nas discussões sobre a estruturação de fluxos entre Unidades Básicas de Saúde, Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), Hospital de Guarnição de São Gabriel da Cachoeira e demais serviços da rede. A proposta busca ampliar o acompanhamento contínuo das gestantes de alto risco e fortalecer a integração entre os diferentes níveis de atenção à saúde.
Redes Sociais