Seletor idioma

Ir direto para menu de acessibilidade.
Página inicial > Notícias > Ufam lança cursinho preparatório para estudantes indígenas em São Gabriel da Cachoeira
Início do conteúdo da página

Ufam lança cursinho preparatório para estudantes indígenas em São Gabriel da Cachoeira

Acessos: 49


Iniciativa da Proext/Ufam formaliza cursinho preparatório para o Enem com metodologia intercultural, em parceria com Ifam e a Foirn

A Pró-Reitoria de Extensão da Ufam aprovou o Projeto Igarapé: Travessias para a Universidade, um curso preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) voltado a estudantes indígenas do ensino médio em São Gabriel da Cachoeira. A iniciativa formaliza e amplia experiências preexistentes conduzidas por docentes do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) e representa uma articulação inédita entre universidade, instituto federal e movimento indígena organizado.

A proposta aprovada foi submetida ao Ministério da Educação (MEC) em março de 2026, no âmbito do Edital CPOP nº 01/2026 – Rede Nacional de Cursinhos Populares. A iniciativa dá continuidade ao processo de articulação com a governança do movimento indígena e com a comunidade do Rio Negro, contribuindo para a consolidação do novo campus e para o fortalecimento de uma política educacional territorialmente referenciada e socialmente comprometida.

São Gabriel da Cachoeira concentra a maior proporção de população indígena autodeclarada do Brasil — 93,17% dos habitantes pertencem a 23 etnias diferentes. Apesar disso, apenas 5,7% dos adultos indígenas do município concluíram o ensino superior, segundo o Censo 2022. O projeto nasce para enfrentar essa contradição: o estado do Amazonas registrou crescimento de 89% nas inscrições indígenas no Enem entre 2022 e 2025, mas esses estudantes ainda representam menos de 1% dos candidatos em nível nacional.

O Projeto Igarapé integra o processo de implantação do novo campus da Ufam em São Gabriel da Cachoeira. Ao qualificar estudantes indígenas para o ensino superior — com pelo menos 40% de vagas reservadas a meninas —, o cursinho prepara a comunidade local para ocupar os quadros técnicos e acadêmicos da futura unidade, retendo talentos no território e fortalecendo o desenvolvimento regional a partir de dentro.

Como funciona o cursinho

O projeto organiza os cinco componentes do Enem em um sistema de rodízio quinzenal, com média de seis encontros por área ao longo de oito meses. A carga horária totaliza 60 horas por componente curricular, realizadas de forma presencial nas instalações do Ifam - Campus São Gabriel da Cachoeira.

Além das aulas regulares, o calendário prevê quatro sábados de simulados interdisciplinares completos e dois encontros de orientação psicopedagógica, dedicados à gestão de tempo, estratégias de prova e preparação emocional.

Formação transversal e combate ao racismo

Paralelamente aos componentes do exame, o projeto trabalha quatro eixos transversais integrados a todas as disciplinas: interculturalidade e liderança, com debate sobre a Lei de Cotas e direitos dos povos indígenas; protagonismo feminino nas ciências e tecnologias, com oficinas voltadas a meninas indígenas e acesso ao Programa de Dignidade Menstrual; história regional e sustentabilidade amazônica; e educação antirracista.

A metodologia, denominada Pedagogia da Travessia, organiza os conteúdos a partir de temas geradores que integram áreas do conhecimento, reduzindo a fragmentação disciplinar típica dos cursinhos tradicionais. O projeto também assume caráter bilíngue e intercultural, reconhecendo as quatro línguas oficiais do município — Nheengatu, Tukano, Baniwa e Yanomami.

Para a pró-reitora de Extensão, professora Flávia Melo, a metodologia proposta pelo Projeto Igarapé é integral: “o ingresso no ensino superior deve vir acompanhado de consciência crítica sobre pertencimento étnico-racial, território, gênero e cidadania”, afirma.

Parceiros e alcance territorial

A iniciativa é resultado de um acordo institucional entre a Ufam, o Ifam - Campus São Gabriel da Cachoeira e a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), por meio de seu Departamento de Educação Escolar Indígena (DEEI) e do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN).

Para contornar as barreiras de conectividade da região, o projeto utilizará podcasts e “pílulas” de áudio produzidos pela TV Ufam, distribuídos via rádio e aplicativos de mensagens. O projeto prevê parceria com a Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas para ampliar o alcance dos conteúdos educativos até as comunidades ribeirinhas, nas línguas locais.

Sobre o CPOP

A Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP) é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) que integra o Programa Diversidade na Universidade, beneficiando jovens de grupos historicamente excluídos e em situação de vulnerabilidade social a ingressarem na educação profissional e no ensino superior. A CPOP financia a apoia tecnicamente cursinhos comunitários e é voltado para estudantes de baixa renda, negros, indígenas e de escolas públicas.

registrado em: ,
Fim do conteúdo da página