Internacionalização - Comitiva da Ufam trabalha em agenda de inovação no Peru
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da Prefeitura Municipal de Benjamin Constant, entre os dias 16 e 20 de fevereiro, realizou uma missão institucional às cidades de Iquitos e Lima, no Peru, para o 1° Foro de Innovación Amazónica com o objetivo de fortalecer parcerias estratégicas na área de inovação, pesquisa e desenvolvimento sustentável na Amazônia.
A agenda foi voltada para a criação de uma rede internacional amazônica envolvendo Brasil, Peru e Colômbia, com foco na integração entre pesquisa científica, inovação tecnológica, acesso a mercados e intercâmbio interinstitucional. A comitiva foi composta pela Pró-Reitoria de Inovação Tecnológica (Protec), representada pela professora Maria Angélica Corrêa; o professor do Instituto de Natureza e Cultura (INC), docente Pedro Mariosa; o professor Ciderjanio Salvador da Costa, diretor de Relações Institucionais da Inpactas, incubadora da Ufam na tríplice fronteira; dos empreendedores premiados, professora Murana Arenillas e professor Joeliton Vargas Kokama; e do engenheiro Arturo Coral Alamo, da Hero Amazônia, instituição articuladora da agenda internacional.
Durante a missão, o grupo visitou importantes instituições peruanas, entre elas a Universidad Nacional Agraria La Molina (UNALM), os Centros de Inovação Tecnológica (CITEs) nas áreas de aquicultura, pescados, couro, madeira e mobiliário, o Instituto de Investigaciones de la Amazonia Peruana (IIAP), a IncubAgraria, a Câmara de Comércio de Loreto, o Ministerio del Ambiente (MINAM), o ProInnóvate e a Municipalidade de San Miguel.
A comitiva foi convidada a apresentar o microcosmo de inovação desenvolvido em Benjamin Constant, caracterizado como um laboratório vivo de experimentação de um modelo de desenvolvimento integrativo. De acordo com a diretora de Empreendedorismo e Habitats de Inovação da Protec, professora Maria Angélica Corrêa, a internacionalização é sobre construir liderança regional pan-amazônia.
“Quando a Ufam é reconhecida como agregadora da inovação amazônica, atraímos pesquisadores, investidores e parceiros internacionais que veem a região como oportunidade, não como periferia. Isso muda nossa posição no cenário global. Reconhecemos a grandeza de nossos vizinhos, bem como estamos dispostos a tornar a Ufam uma universidade agregadora da pan-amazônia. Isso significa, primeiro, apoiar institucionalmente projetos de cooperação; segundo, formalizar parcerias de pesquisa que gerem impacto e ampliem nosso impacto internacional", explicou.
A diretora falou ainda que entre os encaminhamentos construídos pela comitiva estão a criação de uma rede de inovação amazônica, com representantes de cada instituição visitada, capaz de impulsionar soluções sustentáveis e ampliar a inserção internacional da Ufam. “Além disso, tivemos como encaminhamento o desenvolvimento de um programa de incubação cruzada, onde empreendedores de Benjamin Constant possam acessar recursos e mercados em Iquitos e Lima, e vice-versa. Por fim, é a articulação com agências de fomento (CNPq, CAPES, FINEP) para financiamento de projetos colaborativos”, enfatizou.
Conhecendo a comitiva
O pesquisador do Instituto de Natureza e Cultura (INC/Ufam), professor Pedro Mariosa, descreveu a experiência como transformadora. “Trabalhamos durante 2023-2025 no desenvolvimento da parceria com a Hero Amazonia, parceiro fundamental e que é a ponte e alicerce fundamental de nossas ações de internacionalização. Encontrar uma incubadora como a IncubAgraria, uma prefeitura municipal como a de San Miguel e entender as semelhanças que temos abre muitas portas para integração sul-americana e de Tríplice Fronteira. Nós temos um microcosmos extremamente eficiente e com resultados expressivos em Benjamin Constant. Agora, identificamos que tanto em Iquitos como em Lima, temos colegas com resultados ainda maiores que os nossos, com total abertura para negociações e trocas", contou.
O professor falou ainda que o campus de Benjamin Constant é uma potência de internacionalização da universidade. “Temos uma localização geográfica estratégica, uma população com conhecimentos tradicionais únicos e um ecossistema de inovação que funciona. Mas o que nos diferencia agora é a capacidade de nos conectar com vizinhos que enfrentam desafios similares e possuem soluções complementares. Essa rede amazônica que estamos construindo não é apenas sobre compartilhar boas práticas; é sobre criar uma plataforma de desenvolvimento econômico soberano, pautado nos conhecimentos regionais e em políticas transfronteiriças", destacou.
Segundo o professor Ciderjanio Salvador da Costa, diretor de Relações Institucionais da Incubadora Inpactas/Ufam a relação entre setor público, academia, setor privado e sociedade civil, diferencia a Inpactas. “Demonstra que é possível alcançar resultados expressivos mesmo em um contexto de fronteira, marcado por limitações de infraestrutura e recursos; durante as visitas, o que mais me impressionou foi a capacidade e a resiliência do povo peruano, especialmente ao observar instituições como o MINAM, o MEF e a ProInnóvate atuando com profissionalismo e visão de longo prazo apesar das turbulências políticas, pensando que inovação não é luxo, mas necessidade estratégica; essa experiência transformou minha perspectiva sobre relações institucionais, ao mostrar que a Amazônia transcende fronteiras e que compartilhamos desafios comuns como biodiversidade, povos indígenas, mercados emergentes e financiamento verde, tornando a cooperação mais produtiva que a competição; agora, o próximo passo prioritário é formalizar os acordos iniciados, com protocolos de intenção assinados, cronogramas de visitas recíprocas e projetos conjuntos com financiamento definido, convertendo boa vontade em ações concretas”, explicou.
Para a empreendedora da Startup Puwakana (Curadoria de Artes Indígenas), Murana Arenillas, as visitas técnicas ao Peru ensinaram que a incubação cruzada é estratégica para estruturar mercados regionais de alto impacto, especialmente ao conhecer iniciativas como a IncubAgraria, a Universidad Nacional Agraria La Molina e o CITE Madera y Mueble, que demonstram como uma infraestrutura sólida de apoio ao empreendedor pode fortalecer ainda mais o microcosmo de inovação. “ Ao visitar a Prefeitura de San Miguel, na região metropolitana de Lima, ficou evidente que o executivo local, quando atua próximo ao território, pode liderar a transformação de cidades culturalmente inteligentes; no contexto do projeto Puwakana, que trabalha com curadoria de artes indígenas, a experiência mostrou que a arte indígena pode ser posicionada como alta artesania e não como bijuteria, conectando-se a colecionadores, museus, galerias e marcas internacionais por meio das redes construídas, sem sair de Benjamin Constant. Eu identifico oportunidades concretas como acesso a fornecedores especializados em acabamento e embalagem em Lima e Iquitos, participação em feiras regionais de arte e design, conexão com investidores de impacto voltados à economia criativa indígena e colaboração com artesãos peruanos e colombianos para coleções conjuntas que celebrem a diversidade amazônica, tendo a Ufam como ponto de apoio”, destacou.
De acordo com o pesquisador indígena e empreendedor das startups Arayé e Ikaben, Joeliton Vargas Kokama, os projetos da Arayé e Ikaben foram muito bem recebidos no Peru. “O aspecto mais relevante dessa experiência foi o encontro com empreendedores indígenas altamente qualificados, com resultados igualmente expressivos nas áreas de biotecnologia, artesanato e agroecologia. Como indígena e atuando com iniciativas que valorizam conhecimentos tradicionais, foi transformador perceber que, embora enfrentemos desafios semelhantes, esses empreendedores já contam com redes de apoio mais consolidadas, o que amplia as possibilidades de cooperação por meio da incubação cruzada. No caso da Arayé, identifiquei oportunidades de aprimoramento no modelo de negócios a partir das práticas observadas em instituições peruanas que apoiam iniciativas semelhantes. Já a Ikaben poderá avançar por meio de colaborações com pesquisadores que detêm expertise em áreas estratégicas ainda em desenvolvimento por nossa equipe. Vejo, assim, a construção de uma rede amazônica integrada, na qual empreendedores indígenas possam acessar mercados regionais e internacionais sem deixar suas comunidades, com seus conhecimentos reconhecidos como ativos de inovação, tendo a universidade como articuladora central desse processo”, finalizou o empreendedor.
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