Empresas Juniores da Ufam ampliam integração entre estudantes e o mercado de trabalho
Qual é o papel das Empresas Juniores dentro da Universidade e até que ponto elas contribuem para a formação dos estudantes e para a aproximação entre academia e mercado? Na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), esse questionamento tem orientado as Pró-Reitorias de Inovação Tecnológica (Protec) e de Extensão (Proext) em ações institucionais para o fortalecimento, integração e valorização dessas organizações estudantis, que hoje somam 17 unidades ativas, em diferentes áreas do conhecimento.
As Empresas Juniores (EJs) possuem uma resolução desenvolvida no âmbito da PROTEC (Resolução no. 20/2018), por meio do Departamento de Empreendedorismo e Habitat de Inovação (DEMPHI), que estabelece a relação institucional com a Universidade e com orientações e apoios necessários. O objetivo é integrar as empresas e seus membros e ampliar sua visibilidade na instituição e unidade acadêmica, destacando os serviços prestados, a importância das atividades desenvolvidas na extensão e o empreendedorismo universitário.
A diretora do Departamento de Empreendedorismo e Habitat de Inovação (DEMPHI), professora Maria Angélica de Almeida Corrêa, explicou que as Empresas Júniores são associações sem fins lucrativos criadas e geridas por estudantes de graduação, das diversas áreas de conhecimento. “O movimento surgiu na França, em 1967, quando estudantes passaram a buscar formas de aplicar na prática o conhecimento teórico aprendido em sala de aula. O modelo se expandiu rapidamente pela Europa e, hoje, está presente em todo o mundo. O Brasil, por sua vez, se destaca como o país com o maior movimento de empresas juniores, especialmente em universidades públicas”, relembrou. Em 2026, as reuniões entre a Protec e as EJs serão realizadas bimensalmente.
O propósito central das Empresas Juniores é aproximar os estudantes do mercado de trabalho ainda durante a graduação. “Ao desenvolver projetos e prestar serviços reais para empresas e comunidade, os estudantes vivenciam experiências profissionais, criam redes de contato e desenvolvem habilidades como liderança, negociação, gestão e organização. Ao mesmo tempo, prestam um serviço social importante ao oferecer soluções qualificadas a custos mais acessíveis”, explicou.
ECoA Química
A Empresa Júnior ECoA, fundada em 2017, oferece serviços técnicos nas áreas ambiental e química a custos mais acessíveis. Segundo a diretora-presidente e estudante de Engenharia Química, discente Maria Luiza Lunguinho, o principal problema que a ECoA busca resolver é a dificuldade enfrentada por pequenas e médias empresas para acessar análises especializadas. “Resolvemos um problema central: a dificuldade que empresas, especialmente de pequeno e médio porte, têm em acessar serviços técnicos especializados em análise ambiental e química a um custo acessível”, afirmou.
Entre os projetos realizados pela empresa júnior estão análises de água, elaboração de Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), consultoria laboratorial, caracterização de substâncias orgânicas por Ressonância Magnética Nuclear (RMN), análises químicas e até reforço escolar. De acordo com Maria Luiza, os resultados alcançados pelos clientes costumam ser diretos e práticos, como a confirmação da qualidade de produtos e da água utilizada em suas atividades, contribuindo para a segurança e a conformidade com normas ambientais.
“O público atendido é diversificado e inclui restaurantes, condomínios, parques aquáticos, farmácias e empresas industriais. Em geral, são organizações que buscam garantir segurança, atender à legislação e adotar práticas de responsabilidade socioambiental. A análise de água, considerada o principal serviço da ECoA, ajuda clientes a verificarem se estão em conformidade com as exigências legais e com o cuidado ambiental. Além do impacto técnico, a empresa também atua no campo social. Nossa contribuição para a comunidade se concretiza por meio de ações que promovem uma sociedade mais limpa e consciente”, destacou.
Para os estudantes envolvidos, a vivência na Empresa Júnior representa um complemento importante à formação acadêmica. A experiência prática permite o desenvolvimento de habilidades profissionais, o contato com conteúdos aplicados e a construção de uma visão mais ampla sobre o mercado de trabalho. Maria Luiza ressalta que a participação na ECoA já influenciou a escolha de carreira de muitos integrantes, incentivando o espírito empreendedor e fortalecendo o currículo dos participantes.
“Para os próximos anos, a expectativa é ampliar o alcance e se consolidar como referência na transformação do conhecimento acadêmico em soluções reais. A meta é manter o foco no cuidado ambiental e na oferta de serviços acessíveis, ajudando empresas e comunidades. Queremos crescer como referência, transformando o conhecimento acadêmico em soluções que ajudem o meio ambiente e as pessoas”, afirmou a diretora-presidente.
Ao falar com estudantes interessados em ingressar no Movimento Empresa Júnior (MEJ), Maria Luiza é enfática: é uma oportunidade de aprender na prática, experimentar, errar e desenvolver competências administrativas e empreendedoras. Sobre o futuro do MEJ no Brasil, ela demonstra otimismo. Para ela, o cenário aponta para um movimento cada vez mais unido e humano, voltado à criação de soluções que impactem a vida das pessoas e contribuam para o desenvolvimento do país, formando novos gestores preparados para o mercado”, enfatizou.
Entendendo as Empresas Juniores
Apesar do nome, uma Empresa Júnior não funciona como uma empresa tradicional. Trata-se de uma associação sem fins lucrativos, sem remuneração aos participantes. Os recursos obtidos com projetos e consultorias são reinvestidos na capacitação dos membros, na infraestrutura para o trabalho e na participação em eventos. A criação de uma Empresa Júnior parte sempre da iniciativa dos estudantes.
A diretora do Departamento de Empreendedorismo e Habitat de Inovação (DEMPHI), professora Maria Angélica de Almeida Corrêa, explicou que para se formalizar a empresa, o grupo de estudantes precisa se constituir, obter CNPJ e passar por um processo de qualificação na Unidade Acadêmica com aprovação do seu respectivo CONDIR/CONDEP. “O Plano Acadêmico apresentado deve incluir missão, objetivos, equipe e serviços oferecidos, e serve como base para o acompanhamento institucional. Mais do que uma atividade complementar, às Empresas Juniores se consolidam como um espaço de formação prática e desenvolvimento pessoal, conectando universidade, mercado e sociedade. Em um cenário cada vez mais voltado à inovação e ao empreendedorismo, a tendência é que essas iniciativas ganhem ainda mais relevância, funcionando como ambientes onde ideias podem nascer, amadurecer e, futuramente, transformar-se em novos negócios”, disse.
Conheça a legislação da Ufam referente a Empresas Juniores AQUI
A professora falou ainda que o acompanhamento acadêmico é um dos pilares desse modelo. Cada empresa possui um professor orientador, responsável por acompanhar e supervisionar o trabalho desenvolvido. “Ele atua como um apoiador e consultor técnico, garantindo a qualidade dos serviços e o alinhamento com os padrões profissionais esperados. Além de complementar a formação acadêmica, as Empresas Juniores são vistas como agentes de inovação porque podem trazer para dentro da Universidade as necessidades percebidas em campo. Desde sua criação, o movimento incentiva a formação de estudantes com perfil empreendedor, capazes de desenvolver ideias e transformá-las em soluções aplicáveis”, finalizou.
Acompanhe a lista completa de Empresas Juniores da Ufam:

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