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Tiago Santos e Egydio Schwade lançam obras “Da causa perdida ao indigenismo encarnado” e “Memória das lutas” na Ufam

Publicado: Quinta, 02 de Julho de 2026, 13h26 | Última atualização em Quinta, 02 de Julho de 2026, 13h31 | Acessos: 55

Evento será realizado a partir das 18h30, no Auditório Rio Solimões do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS/Ufam), setor Norte do Campus Universitário Arthur Virgílio Filho, em Manaus

 

Tiago Fonseca dos Santos, professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Amazonas (PPGH/Ufam), e o indigenista Egydio Schwade lançam, no dia 18 de agosto, as obras “Da causa perdida ao indigenismo encarnado: a trajetória de Egydio Schwade nos anos de chumbo (1972-1980)” e “Memória das lutas à construção do indigenismo encarnado”, respectivamente.

A obra “Da causa perdida ao indigenismo encarnado: a trajetória de Egydio Schwade nos anos de chumbo (1972-1980)” é resultado da tese de doutorado desenvolvida pelo professor Tiago Santos junto ao PPGH/Ufam. A pesquisa é voltada a discutir as renovações no indigenismo no âmbito da Igreja Católica, a emergência do movimento pan-indígena e a organização de instituições de apoio à causa indígena, processo do qual o indigenista Egydio Schwade foi um dos protagonistas.

Ditadura na Amazônia e movimento indígena

No livro, professor Tiago destaca os conflitos entre a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), além de iniciativas estatais voltadas a investigar e cercear as atividades do movimento indígena, o qual se organizava, durante os anos de chumbo, para enfrentar a espoliação dos territórios e o genocídio perpetrado pelo Estado brasileiro contra os povos indígenas. “Contradizendo o mito da ditadura não ter sido tão cruel na Amazônia, a pesquisa demonstrou o contrário:  por ser uma área de segurança nacional, o Norte foi controlado minuciosamente pelas forças armadas e outras instituições de Estado. Os grandes projetos na Amazônia impactaram a organização do território e custaram a vida de milhares de indígenas. A partir do ativismo do grande indigenista Egydio Schwade, foi possível identificar as profundas transformações nos anos de chumbo aqui na região”, afirma o autor, que atualmente integra também o quadro docente da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Coletânea

Na publicação “Memórias das lutas à construção do indigenismo encarnado” encontram-se os textos escritos por Egydio Schwade ao longo de seis décadas dedicadas ao indigenismo. Schwade começou a se dedicar à temática no início da década de 1960. Acompanhou de perto eventos críticos, como o Massacre do Paralelo 11, em 1963 e o genocídio decorrente dos grandes projetos na Amazônia. Participou da criação da Pastoral Indigenista, no âmbito da Igreja Católica; foi co-fundador da Operação Anchieta, em 1969; e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), em 1972.

Em 1980, denunciou as violações dos direitos dos povos indígenas no IV Tribunal Russell, em Roterdã. Em 1983, participou da criação do Movimento de Apoio à Resistência Waimiri-Atroari (MAREWA). Já em 1990, novamente levou ao Tribunal dos Povos, em Paris, casos de agressões contra os povos indígenas.

Mutirão de pessoas e instituições

Neste percurso, Schwade testemunhou a consolidação do movimento pan-indígena, organizado nas assembleias indígenas, a partir de 1974; e a renovação do indigenismo ecumênico na Igreja Católica e o trabalho da Operação Anchieta, hoje Amazônia Nativa. Em suas próprias palavras, “um mutirão de pessoas e instituições, dedicado a lutar ao lado dos povos indígenas, em defesa de seus territórios, pela valorização de suas culturas, bem como pela conquista do seu protagonismo político”, ressalta o ativista social.

Perfil dos autores

Sobre Tiago Santos

Doutor em História Social pela Universidade Federal do Amazonas, Tiago Fonseca dos Santos é docente no Centro de Estudos Superiores de Tefé, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Atua no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH/UEA) e no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Amazonas (PPGH/Ufam). Desenvolveu o Estágio pós-doutoral no Programa de Pós-Graduação em História na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, concentrando suas atividades de pesquisa nas áreas de História Social, Memória e Estudos Regionais na Amazônia.

Foi contemplado, recentemente, em dois importantes prêmios de pesquisa do Arquivo Nacional. Na V edição do Prêmio de Pesquisa Memórias Reveladas (2024) e na 18ª edição do Prêmio Arquivo Nacional de Pesquisa, com Menção Honrosa pela pesquisa “Arquivos e memórias de chumbo: a trajetória de Egydio Schwade e as tensões forjadoras do(s) novo(s) indigenismo(s) (1972-1980)”.

Sobre Egydio Schwade

Filósofo, padre, professor, indigenista, apicultor e ativista social. Dedica-se ao indigenismo desde 1963. É co-fundador da Operação Anchieta (OPAN), em 1969; do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), em 1972; do Movimento de Apoio à Resistência Waimiri-Atroari, em 1983; da Casa da Cultura do Urubuí, em 1992; e do Comitê Estadual de Direito à Verdade, à Memória e à Justiça do Amazonas, em 2010. É autor do livro A ditadura militar e o genocídio do povo Waimiri-Atroari.

Em 2015, recebeu o título Cidadão do Amazonas pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM); em 2021, o título Doutor Honoris causa pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), em Minas Gerais. Em 2024, foi agraciado com o prêmio Mestres e mestras dos saberes e fazeres culturais nas artes pelo Conselho Estadual de Cultura e a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas; e, em 19 de setembro do mesmo ano, foi aprovada pelo Conselho Universitário a concessão do título Doutor Honoris Causa pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Em 10 de junho de 2026, o Conselho Universitário da Universidade Federal do Amazonas (Consuni/Ufam) aprovou a concessão do título de Doutor Honoris Causa ao ativista social.

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