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Ufam, Ministério da Saúde e National Institute for Health and Care Research do Reino Unido realizam Seminário para debater saúde bucal dos povos da floresta e das águas

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A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) sediou, na tarde desta terça-feira (2), a cerimônia de abertura do Seminário de Saúde Bucal dos Povos da Floresta e das Águas, realizado no Auditório da Escola de Enfermagem de Manaus. O evento foi promovido pelo Programa de Pós-graduação em Odontologia da Ufam, em parceria com o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), integra o Programa Core Brasil, uma iniciativa internacional coordenada pela University College London (UCL) e financiada pelo National Institute for Health Research (NIHR), do Reino Unido. 

O Seminário discute os preceitos históricos estabelecidos pelo Ministério da Saúde para a reorientação dos modelos de atenção voltados para saúde bucal, considerando pontos fundamentais de intersecção com a realidade amazônica, respeitando à diversidade e à interculturalidade, intersetorialidade, além do estímulo ao autocuidado e à progressiva busca pela autonomia das comunidades. Durante a abertura, a reitora da Ufam, professora Tanara Lauschner, destacou a formação de profissionais comprometidos com as necessidades da população amazônica. Segundo a reitora, a participação da Ufam no projeto fortalece a produção científica e amplia as possibilidades de melhoria da saúde bucal para os povos da região.

“A Ufam conta com excelentes pesquisadores e profissionais que podem contribuir significativamente para novas iniciativas voltadas à melhoria da saúde bucal, especialmente para os povos da floresta e das águas. Além disso, esses profissionais em formação trabalham a partir das diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) que tem como política pública fundamental garantir o acesso universal à saúde”, destacou a reitora.

Em sua fala, Tanara Lauschner lembrou ainda os investimentos realizados pela Ufam na área da saúde, citando o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), integrante da rede SUS, e as obras do novo prédio da Faculdade de Odontologia. Outro ponto enfatizado pela reitora foi a relevância das atividades de campo previstas na programação do Seminário. 

“Vivenciar a realidade das comunidades amazônicas é essencial para a formação cidadã dos futuros profissionais. Discutir desigualdades é importante, mas enxergá-las de perto é fundamental. Essa experiência amplia a formação dos nossos estudantes e contribui para que compreendam as pessoas em sua totalidade”, afirmou.

O coordenador-geral de Saúde Bucal, representando o Ministério da Saúde, Edson Hilan Gomes de Lucena, ressaltou a relevância nacional e internacional do projeto, que reúne instituições brasileiras e estrangeiras em torno da promoção da saúde bucal em territórios marcados por desafios sociais e geográficos. “O Brasil foi escolhido para integrar essa iniciativa por possuir uma das mais importantes políticas públicas de saúde do mundo: o SUS, um sistema universal, gratuito e integral que atende milhões de pessoas. A saúde bucal faz parte desse contexto”, destacou.

Lucena também enfatizou o papel da universidade na formação de profissionais comprometidos com a realidade social. Segundo o coordenador, iniciativas como o projeto CORE aproximam ensino, pesquisa e extensão das necessidades concretas das populações atendidas. “Perceber que nossa formação e nossa atuação impactam diretamente a vida das pessoas vai muito além de uma formação formal descontextualizada da realidade. Esse projeto transforma a forma como ensinamos e aprendemos. Mais do que falar, precisamos ouvir. A escuta das comunidades é fundamental para que o Ministério da Saúde continue aprimorando suas ações e fortalecendo a política pública de saúde a partir das realidades locais”, ressaltou.

Seminário de Saúde Bucal dos Povos da Floresta e das Águas

Para a diretora da Faculdade de Odontologia da Ufam, professora Carina Toda, o Seminário fortalece a relação entre Universidade, pesquisa e serviços de saúde. “Não estamos falando apenas de dados estatísticos, mas da realidade das populações rurais e ribeirinhas. A academia tem o dever de propor soluções que reduzam as iniquidades em saúde e garantam que o direito à saúde bucal chegue com qualidade a quem mais precisa”, afirmou.

O coordenador nacional do Programa Core Brasil, o professor Paulo Sávio Angerias de Goes, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), explicou que o Programa reúne pesquisadores de quatro países (Brasil, Colômbia, Índia e Quênia) em torno de estudos sobre equidade em saúde bucal e engajamento comunitário. “O foco principal é eliminar barreiras de acesso ao cuidado odontológico, reduzindo desigualdades e ampliando o acesso aos serviços de saúde bucal para todos, promovendo cursos, intercâmbios internacionais, webinars e ações voltadas à formação de jovens pesquisadores”, disse.

Em Manaus, uma das ações do Core Brasil é coordenada pela professora Ana Paula Corrêa de Queiroz Herkrath, da Faculdade de Odontologia da Ufam. O projeto é desenvolvido na comunidade rural ribeirinha Santa Maria e busca avaliar os impactos de intervenções participativas voltadas à promoção da saúde bucal. De acordo com a coordenadora local, um dos diferenciais da iniciativa é o protagonismo dos moradores na construção das ações. “Não chegamos à comunidade com soluções prontas. Todas as intervenções foram cocriadas com os próprios comunitários, por meio de um comitê gestor que trabalhou junto com a equipe de saúde”, explicou.

A pesquisadora informou ainda que, durante a programação do seminário, representantes do Ministério da Saúde, da coordenação nacional do Programa e da equipe local visitarão a comunidade para acompanhar de perto os resultados do projeto. Na ocasião, os próprios moradores apresentarão as ações desenvolvidas ao longo dos últimos anos. Após a solenidade de abertura, a programação seguiu com palestra sobre a saúde bucal dos povos da floresta e das águas, ministrada pelos professores Edson Hilan Gomes de Lucena, Paulo Sávio Angeiras de Goes e Ana Paula Corrêa de Queiroz Herkrath.

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