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Pesquisa sobre movimentos sociais aponta importância da resistência indígena contra a pandemia de COVID-19 no Amazonas

Publicado: Quinta, 11 de Fevereiro de 2021, 15h01 | Última atualização em Quinta, 11 de Fevereiro de 2021, 15h01 | Acessos: 4570

Pesquisa coordenada pelo professor do curso de jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (campus Parintins), Lucas Milhomens, aponta a importância dos movimentos sociais, sobretudo as entidades e organizações indígenas, na construção de redes de articulação, proteção e visibilidade para os povos originários durante a maior crise sanitária do último século, ocasionada pela pandemia de covid-19.

O projeto é uma pesquisa interdisciplinar financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), e conta com a participação de especialistas nas áreas de sociologia, antropologia, educação e comunicação, além de acadêmicos da Ufam. As atividades começaram em 2020 e inicialmente tinham como objetivo central mapear os movimentos sociais e seus processos comunicacionais na região conhecida como ‘Baixo Amazonas’. 

Com o avançar da crise sanitária sem precedentes no estado, os trabalhos foram readequados metodologicamente e outras prioridades surgiram. “No decorrer de nossas análises, fomos acometidos pela pandemia do coronavírus e isso mudou tudo. Percebemos que uma das populações mais atingidas no Amazonas foram os povos indígenas. Com a falta de políticas públicas eficientes e a ausência de uma rede de proteção social e de saúde, o que está acontecendo a essas populações é um verdadeiro genocídio. Em nossa análise, observamos que este cenário fez com que grupos que já atuavam com a questão indígena ampliassem suas ações, fortalecendo o que chamamos de “redes de mobilização”, agindo diretamente para a proteção e o combate aos efeitos da pandemia, trabalho esse protagonizado pelos próprios indígenas”, conta o professor.

Os resultados parciais do estudo apontam que existe uma “rede de mobilização indígena” que está se consolidando à medida que promove e fortalece o enfrentamento aos impactos da pandemia entre suas populações, muitas delas vivendo em áreas rurais de difícil acesso. Outro fator detectado pela pesquisa diz respeito as críticas que lideranças e representantes de organizações e entidades têm feio aos governos federal e estadual pelas medidas ineficientes de combate a pandemia entre os indígenas. Um exemplo foi a demora no atendimento via Sistema Único de Saúde (SUS) para a população ‘não aldeada’ do estado, especificamente aqueles que vivem nos centros urbanos, como os que moram em Manaus. Outra situação preocupante é a não inclusão desse público como prioritário para a vacinação, ação fundamental para a diminuição da doença e que começou em fevereiro último, o que deixa milhares de indígenas em situação de extrema vulnerabilidade.

Plano de Ação e Emergência Indígena

O Amazonas é o estado com a maior quantidade de povos indígenas vivendo em seu território. Segundo o último Censo do IBGE, são 65 etnias, contabilizando mais de 180 mil pessoas. Só no estado, segundo dados da Confederação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), até o dia 8 de fevereiro de 2021, em decorrência covid-19, já haviam falecido 252 indígenas de 26 etnias.

Com esse cenário de guerra, entidades como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e a própria Coiab, criaram um plano de ação com orientações e medidas para mitigar os efeitos da pandemia entre suas populações (https://coiab.org.br/covid). Além disso, uma série de atividades online (lives, campanhas de doação de alimentos, medicamentos, equipamentos de saúde etc.) foram feitas ao longo de 2020, culminando no evento “Emergência Indígena” (https://emergenciaindigena.apiboficial.org/), atividade de mobilização que contou com a participação de entidades e organizações indígenas, movimentos sociais diversos, políticos, artistas e voluntários de vários lugares do mundo.          

Podcasts

O respeito às orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), o uso de remédios tradicionais, a realização de rituais sagrados e o controle da entrada e saída de pessoas em seus territórios são algumas das ações concretas feitas por indígenas dos povos Baré, Yanomami, Ticuna, Tukano e Sateré-Mawé para minimizar os impactos da pandemia em suas comunidades.

É o que dizem os entrevistados do projeto Povos Indígenas do Amazonas contra a Pandemia de Covid-19, atividade de extensão vinculada a pesquisa sobre movimentos sociais, que consistiu na realização de entrevistas no formato de podcasts, realizadas por estudantes do curso de jornalismo da Ufam, campus Parintins.

 

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