Internacionalização: Ufam fortalece cooperação científica entre Brasil, França e Marrocos
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) participou de uma missão internacional promovida pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), da França, com atividades realizadas entre os dias 7 e 15 de setembro, em Toulouse, Montpellier e Marseille, na França, e nas cidades de Rabat, Marrakech, Agadir e Casablanca, no Marrocos. A reitora da Ufam, professora Tanara Lauschner, integrou a delegação brasileira em encontros voltados ao fortalecimento da cooperação científica internacional nas áreas de desenvolvimento sustentável, pesquisa, formação e inovação.
A delegação reuniu representantes de universidades, instituições de pesquisa e agências de fomento brasileiras, além de pesquisadores franceses vinculados ao IRD. Participaram da missão representantes da Ufam, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Amazônia no centro da agenda científica
Um dos principais resultados da missão foi a assinatura da Carta de Intenções entre a Ufam, a Universidade de Toulouse e o IRD, realizada no dia 7 de setembro, durante a etapa francesa da programação. O documento formaliza a implementação do Laboratório Misto Internacional (LMI) Cabocla. A iniciativa é fruto de mais de 20 anos de colaboração entre a UFAM e o IRD que reune também uma rede de parceiros no Brasil e na França voltada ao desenvolvimento de cenários quanto à habitabilidade das áreas marginais dos rios Amazônicos.
Além da criação do laboratório, a Ufam iniciou negociações com a Universidade de Toulouse para estabelecer um acordo acadêmico voltado à mobilidade universitária e à oferta de cursos comuns com possibilidade de dupla diplomação em programas de graduação e pós-graduação. A comitiva também visitou o Observatório Midi-Pyrénées, que reúne oito laboratórios de pesquisa, entre eles o Geoscience Environnement Toulouse (GET), principal parceiro científico do LMI Cabocla.
Para a reitora, professora Tanara Lauschner, as parcerias firmadas ampliam as oportunidades de internacionalização para estudantes e pesquisadores da Ufam. "O Laboratório Cabocla e os acordos de mobilidade acadêmica nos permitirão produzir uma ciência construída de forma participativa com as nossas comunidades, além de abrir portas para pesquisas relevantes para nossos estudantes e professores", destacou.
Para o professor Naziano Filizola, docente da Ufam integrante da missão, a assinatura da carta representa um marco na cooperação que vem sendo construída ao longo dos anos entre a Universidade e o IRD. "A aprovação e institucionalização do Laboratório Misto Internacional é um passo muito importante para fazer com que essa cooperação com o IRD ganhe mais vulto e possa ampliar o campo de atuação envolvendo alunos de graduação, pós-graduação e professores de várias áreas. O laboratório tem uma vocação para a construção de redes de pesquisa, especialmente uma rede na Amazônia Ocidental, que é um dos nossos principais objetivos estratégicos", afirmou.
Segundo o pesquisador, a programação em Montpellier também ampliou as perspectivas de colaboração científica. A delegação visitou centros de pesquisa com atuação em sensoriamento remoto e manteve reuniões com pesquisadores do IRD e da Universidade de Montpellier para discutir novos projetos conjuntos.
Veja AQUI a Carta de Intenções.
Cooperação para os próximos anos
Em Marseille, sede do IRD, representantes brasileiros e franceses discutiram as diretrizes científicas que deverão orientar a cooperação internacional nos próximos cinco anos. A proposta é estruturar uma agenda baseada em pesquisa, formação e inovação, ampliando as redes de colaboração para além da parceria entre Brasil e França.
A estratégia prevê maior integração com instituições da América Latina, Caribe, África, Ásia e territórios franceses ultramarinos, como a Guiana, que faz fronteira com o Brasil. As ações irão concentrar esforços em temas como mudanças climáticas, biodiversidade, segurança alimentar, saúde global e transições socioambientais. Durante os encontros, também foram debatidas ações para fortalecer a mobilidade acadêmica, a formação de pesquisadores e o compartilhamento de infraestrutura científica entre universidades e centros de pesquisa.
Cooperação Sul-Sul aproxima Amazônia e África
Na segunda etapa da missão, realizada no Marrocos, a delegação participou de visitas técnicas e reuniões em universidades e instituições de pesquisa de Rabat, Marrakech, Agadir e Casablanca. As atividades reforçaram a cooperação transatlântica entre Brasil, França e países africanos como um dos eixos estratégicos para o desenvolvimento científico em regiões tropicais.
Durante a passagem pelo Marrocos, a delegação também visitou a instituição responsável pelo sistema nacional de pesquisa científica do país, semelhante ao CNPq, e participou de reuniões com dirigentes universitários para discutir projetos conjuntos e políticas de ciência, tecnologia e inovação. Segundo Naziano Filizola, a aproximação entre instituições da América do Sul e da África fortalece uma agenda científica voltada aos desafios comuns enfrentados pelos países da faixa tropical.
"Essa cooperação Sul-Sul envolve regiões fortemente impactadas pelas mudanças climáticas e que compartilham desafios ambientais, sociais e econômicos. Ao mesmo tempo, cria oportunidades para troca de conhecimentos, tecnologias e experiências entre países que possuem realidades semelhantes", ressaltou.
O docente falou ainda que o processo de internacionalização também amplia a formação acadêmica dos estudantes e fortalece o papel da universidade na produção de conhecimento sobre a Amazônia. "A Ufam carrega em seu nome a responsabilidade de representar a maior floresta tropical e a maior bacia hidrográfica do planeta. Ao fortalecer essas redes internacionais, abrimos novas perspectivas para nossos estudantes e pesquisadores e consolidamos a universidade como uma referência na produção de conhecimento sobre a Amazônia e seus desafios", concluiu.

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