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Ufam contribui para o avanço da educação escolar indígena no AM

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Documento Final reuniu propostas para temas estratégicos na educação escolar indígena no contexto estadual, desde a autodeclaração, passando por políticas educacionais e pedagogias interculturais, até a educação superior

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Na programação do Encontro Estadual de Educação Escolar Indígena do Amazonas de 2026, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) apresentou o conjunto das ações institucionais que hoje são referência na educação superior e na pós-graduação com o objetivo de fortalecer a Educação Escolar Indígena (EEI) no estado e na região Norte. Ao lado de lideranças indígenas e representantes dos Territórios Etnoducacionais, a reitora, professora Tanara Lauschner, destacou a construção do campus de São Gabriel da Cachoeira, entre outras ações da Instituição.

“Hoje nós estamos participando do Encontro de Educação Escolar Indígena, um evento que reuniu mais de 400 pessoas de 38 municípios e cerca de 60 povos. Viemos trazer um pouco do que nós já estamos realizando na gestão da Universidade para o atendimento das demandas do movimento indígena, dos nossos estudantes indígenas”, situou a reitora, professora Tanara Lauschner. Ela citou como exemplos o edital para o auxílio Tapera, no âmbito do Parfor, a Cuidoteca, que receberá filhos e filhas dos estudantes indígenas, o novo Campus da Ufam em São Gabriel da Cachoeira, o município com a população mais indígena do País, onde a Universidade já deu início à construção da estrutura física e também já solicitou e recebeu 40 novos códigos de vagas para docentes. 

“Estamos sempre nos colocando para construir junto com os movimentos indígenas, com o governo federal, com o MEC [Ministério da Educação] e com a Secadi [Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão], porque é nossa obrigação realizar todo o trabalho necessário para transformar a Ufam numa Universidade muito mais indígena”, assegurou a professora Tanara Lauschner. Além da Ufam, outras instituições que provêm educação básica, técnica e superior no estado, como o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (Ifam), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a Secretaria de Estado da Educação (Seduc); do Ministério Público Federal (MPF), parceiro dos povos indígenas em prol da efetivação de seus direitos; e do MEC, a quem incumbe elaborar, implementar, acompanhar e avaliar as políticas públicas educacionais, considerando a diversidade cultural e a assimetrias socioeconômicas existentes no País.

Diagnóstico e deliberações

Durante quatro dias de evento, os oito Territórios Etnoeducacionais do Amazonas tiveram vez e voz. Estes/as são os respectivos representantes:  TE Alto Solimões, John Wytoto; TE Médio Solimões, Mauca Kambeba; TE Alto Madeira e Purus, Cleuto Tenharim; TE Rio Negro, Lúcia Maria Baré; TE Yanomami, Vicente Yanomami; TE Vale do Javari, Ewerton Marubo; TE Baixo e Médio Madeira, Genildo Mura; e TE Baixo Amazonas, Selma Apurinã. Além dessas lideranças, a reunião com as instituições contou com a presença do professor da Ufam Gersem Baniwa e do líder dessana Jaime Diakara, a quem coube a condução do momento de espiritualidade anterior ao início das apresentações.

Atualmente na função de diretora de Políticas Afirmativas da Pró-Reitoria de Extensão da Ufam (Proext), a professora Danielle Munduruku exerce também a função de secretária da Diretoria Executiva do Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas (Foreeia), organizadora do Encontro. “O Foreeia faz parte da governança do movimento indígena, entidade que representa as professoras e os professores da educação escolar indígena do Estado do Amazonas. Hoje nós temos oito territórios etnoeducacionais. O Fórum articula as diferentes redes de educação no estado. No encontro, todos os representantes das redes e os representantes desses territórios estiveram presentes”.

“Mas, como essa [educação] é diferenciada, participam também os caciques, as lideranças e as organizações representativas dos territórios. Na perspectiva da educação escolar indígena, toda a aldeia é uma escola, sendo este momento como uma extensão das diferentes aldeias. [...] Agora em 2026, o encontro é a culminância dos encaminhamentos do encontro estadual de 2025, que foi o primeiro. Juntos, nós traçamos metas. Entre elas, a criação de grupos de trabalho para encontrar dados para promover políticas para a educação escolar indígena”, disse a professora . A secretária da Foreeia citou como exemplo o exemplo Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Interculturais Indígenas (Prolind), criado em 2005 e vinculado à Secadi/MEC.

Consolidação

“Todo direito e toda conquista vêm da ação do movimento indígena”, afirmou o pesquisador do Imaginable Futures, Paulo Shinji, a respeito de uma pesquisa sobre o financiamento público para a educação escolar indígena. O levantamento resultou na publicação diagnóstica sob o título “Do território ao papel: caminhos para o financiamento da educação escolar indígena”, obra elaborada sob o aconselhamento do professor da Ufam Gersem Baniwa, e que está disponível neste link para download gratuito.

Elaborado no último dia de evento, o “Documento Final” reuniu as propostas para um conjunto de temas estratégicos para a educação escolar indígena no contexto estadual, desde a autodeclaração, passando pelas políticas educacionais e as pedagogias interculturais, até a educação superior e seus desafios, como acesso, permanência e conclusão dos cursos. O compilado foi lido pela professora Danielle Munduruku. “As propostas aqui consolidadas expressam nossas demandas históricas e refletem a diversidade sociocultural, territorial, linguística e política que caracteriza os povos indígenas do estado. […] Nenhuma política educacional voltada aos povos indígenas pode ser construída sem a escuta qualificada e o protagonismo indígena”.

Na última parte do texto, os povos indígenas do Amazonas reafirmaram a disposição para o diálogo, além da firme defesa dos direitos. “As propostas representam consensos construídos coletivamente”. A íntegra do documento será encaminhada aos participantes e representantes das instituições convidadas por e-mail.

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