Seletor idioma

Ir direto para menu de acessibilidade.
Página inicial > Notícias > Pesquisa resgata história da educação musical em Manaus no século XX
Início do conteúdo da página

Pesquisa resgata história da educação musical em Manaus no século XX

Acessos: 285

A investigação foi realizada por meio de projetos de iniciação científica e resultou em um e-book com os achados do estudo

A Musicologia Histórica, estudo da música através do tempo, é um campo que ainda precisa ser mais explorado. Buscando trazer contribuições para isso, a professora do curso de Música da Faculdade de Artes (Faartes) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Lucyanne de Melo Afonso, coordenou uma pesquisa que se debruçou sobre a história da educação musical em Manaus no século XX, resgatando o papel de instituições, de nomes e de contextos históricos no ensino de música na capital amazonense. 

“Existem muitos conteúdos e informações que precisam ser estudados e, principalmente, deixar registrado essa história da educação musical, essa memória histórica, individual e coletiva, que muitos construíram, participaram e atuaram para que hoje pudéssemos ter os diferentes cenários do ensino da música e das práticas musicais artísticas em Manaus”, afirma a docente. 

A investigação foi realizada pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Música na Amazônia, juntamente com o Laboratório de Educação Musical (Labem) e o Laboratório/Centro de Documentação e Memória da Cultura na Amazônia (Cedomca).

Contribuição da iniciação científica

A pesquisa foi contemplada pelo edital de Apoio à Popularização e Divulgação para CT&I da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado Amazonas (Fapeam) de 2022 e realizada entre 2023 e 2024. Mas a investigação iniciou já em 2019 por meio de projetos de iniciação científica, com a catalogação de notícias em jornais impressos sobre escolas e instituições de ensino de música, docentes e discentes que atuavam na educação musical em Manaus. 

“Conhecer, resgatar e pesquisar sobre a história da educação musical não se trata somente  sobre questões pedagógicas, vai além de conhecer instituições e docentes. É salvaguardar nossa própria história social e cultural, conhecer o passado e que existem inter-relações de saberes, políticas, econômicas, sociais e culturais que permeiam e influenciam as práticas de ensino e as práticas musicais artísticas”, afirma a coordenadora.

Organização

Nesse processo, a equipe da pesquisa subdividiu as investigações em períodos históricos.  

1900 a 1929: desenvolvida pela discente de música Brenda Letícia Gomes, a pesquisa catalogou 135 notas sobre escolas e professores de música e identificou o Instituto Afonso Pena como a primeira escola de música de Manaus no período. “Constatamos que além do Educando Artífices e da Academia, havia um circuito de ensino privado e de outras escolas que foram sendo divulgadas”, completa a coordenadora. 

1930 a 1963: a pesquisa do período foi realizada pela estudante Isabela Pereira e identifica o impacto do declínio da economia da borracha no ensino musical na capital, o que levou muitos pianistas a ficarem no anonimato e outros a buscarem em espaço populares como clubes e rádios um meio de alavancar a arte pianística. Lucyanne Afonso destaca nesse período nomes como Lindalva Cruz, Tatá Level, Ivete Freire Ibiapina, Nini Jardim, além do  Canto Orfeônico. Os coros populares passaram a ser matéria curricular obrigatória.

1964 a 1985: realizada pelo discente Lucas Silveira, a investigação catalogou mais de 2 mil dados e foi premiada no Congresso de Iniciação Científica da Ufam. No contexto histórico, vivencia-se o período da Ditadura Civil-Militar. É criado o Conservatório de Música Joaquim Franco, a primeira instituição de ensino de música pública do estado, que posteriormente seria unificado à Universidade do Amazonas (futuramente Ufam), recebendo o nome de Centro de Artes da Ufam (Caua).

1986 a 1999: o período foi estudado pela estudante de música Laura Andrade e destaca-se por mais investimento na criação de centros culturais, na formação artística e no apoio em diversos projetos culturais. “O aumento de políticas culturais é responsável pelas principais implementações da Fundação Villa Lobos, criada para o estímulo das produções artísticas locais. Com a Orquestra Sinfônica do Amazonas, de nível internacional, vários instrumentistas tiveram a oportunidade de participar por meio de um concurso público e posteriormente tornarem-se professores em centros culturais de ensino como o Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro”, explica Lucyanne Afonso.

Nomes destacados e silenciados

Durante a execução da pesquisa, alguns nomes das artes amazonenses se destacaram nos dados coletados. Nivaldo Santiago, Dirson Costa e Joaquim Franco são alguns dos mestres que se sobressaem no imaginário coletivo do circuito musical em Manaus. 

No entanto, a professora Lucyanne Afonso lembra a importância de reconhecer a contribuição das mulheres na educação musical: “Existem muitas mulheres musicistas que atuaram significativamente no ensino da música e que não são citadas, referendadas e lembradas como Maria Augusta Bacellar, Lila Borges de Sá, Ivete Freire Ibiapina, Tatá Level, Lindalva Cruz, Ana Carolina, Jerusa Mustafa, Irmã Herminia Cattango, Irmã Octavilla Tornatore, Maria Celeste Maia, Honorina Amora, Marina Amora, Betty Antunes de Oliveira, Antonietta Leal, Zelinda Martins, Josephina Muniz, Filomena Fiuza Borges, Jerusa Mustafa, Alina Ferreira, Maria Izabel Desterro”, elenca.

Resultados

A pesquisa trouxe frutos que contribuem para o resgate e a divulgação de informações da história do ensino de música em Manaus. Uma exposição foi realizada em 2023, na Galeria de Artes da Ufam, para apresentar o andamento das pesquisas. Também foram expostos instrumentos e partituras históricas e uma linha do tempo da educação musical de Manaus.

Já o e-book “Uma historiografia do ensino de música em Manaus no século XX” reúne nove artigos e consolida os achados da pesquisa. É possível baixar a obra gratuitamente no repositório da Faartes. A equipe da pesquisa também lançou um site do Laboratório de Educação Musical, com informações sobre atividades de pesquisa e extensão e disponibilização de produções bibliográficas.

Outra importante contribuição resultante da pesquisa foi a inserção do Seminário de Educação Musical na agenda do curso de graduação em Música. A segunda edição do evento foi realizada em 2025 e contou com o apoio do edital Ciencia+Art da Fapeam.

Fotos: Rosiel Mendonca/Faartes

registrado em: ,
Fim do conteúdo da página