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Programa de Iniciação à Docência revoluciona formação de professores da educação básica

Publicado: Terça, 25 de Agosto de 2026, 12h41 | Última atualização em Terça, 25 de Agosto de 2026, 12h41 | Acessos: 154

Trimmmmmmmm! São 7h da manhã na Escola Municipal Jorge de Rezende Sobrinho, na Zona Leste de Manaus, a professora Jéssica Soares sai da sala dos professores e segue pelo corredor até a sala do 9º A, onde 30 estudantes de 14 anos a aguardam para a primeira aula. Há cinco anos, liderar uma sala de aula já se tornou rotina na vida da egressa da Ufam, do curso de Filosofia. Mas o que é simples de se fazer hoje para a professora Jéssica, já foi algo que causava ansiedade e medo para a graduanda Jéssica. O que a fez mudar? O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid). 

O Pibid é uma iniciativa do governo federal, gerenciado pela Capes, que desde 2007 oferece bolsas de estudos a estudantes de cursos de licenciatura. O objetivo é inserir os futuros professores no cotidiano de escolas públicas de educação básica ainda durante a graduação. Na Ufam, o programa existe desde 2009 e já capacitou quase 5 mil estudantes do ensino superior. A professora Jéssica Soares foi uma delas. De 2017 a 2018, Jéssica viveu o que ela classifica como “divisor de águas" em sua trajetória acadêmica. “A minha experiência com o Pibid foi um divisor de águas na minha formação. Foi muito importante. Inclusive, eu utilizo as experiências, as atividades, que eu aprendi com o Pibid até hoje. Muito do que eu aprendi, eu aplico na minha prática docente”, conta. “O programa era novo no curso, já que antes era somente bacharelado. Mas, a partir de 2016, já com a licenciatura, o Pibid entrou no curso de Filosofia. No Pibid, a gente fazia os nossos estudos voltados para o ensino de Filosofia, com o nosso professor-coordenador, fazendo a leitura dos documentos, as intervenções na sala de aula e sempre falando sobre a relação entre Filosofia e educação”, lembra.

Assim como Jéssica, outros 4.673 graduandos da Ufam participaram do Pibid desde a sua adoção pela Instituição. O que poderia ser só mais um dado numérico representa o total de vidas que foram beneficiadas pelo Pibid durante os anos de graduação. Tanto que todos os 3.263 Pibidianos concluíram seus cursos sem uma exceção. Os outros 1.410 são os do edital atual, por isso, ainda não entraram na soma. 

Para que um programa tão impactante quanto o Pibid seja executado de maneira a alcançar seus objetivos, é preciso contar com a atuação de pessoas compromissadas com a educação. Na Ufam, o programa possui três coordenadores, os professores Carlos Victor Lamarão, Klenicy Kazumy de Lima Yamaguchi e Valter Frank de Mesquita Lopes, que junto com quase 100 outros profissionais, tornam o Pibid um benefício real não somente para os estudantes da graduação quanto para os da educação básica por ele atingidos. “O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) desempenha um papel fundamental na formação de professores e no fortalecimento das licenciaturas na região amazônica. Por meio de suas ações, o programa promove a aproximação entre a universidade e a educação básica, criando oportunidades para que os estudantes das licenciaturas vivenciem, desde sua formação inicial, a realidade das escolas públicas e os desafios cotidianos da profissão docente”, declara o professor Carlos Victor Lamarão, um dos coordenadores. “No âmbito da Ufam, somente com o edital atual, de 2024, o Pibid atendeu 1.410 alunos, distribuídos em 47 núcleos de atuação. Essa estrutura contou com a participação de 47 professores coordenadores de área, todos servidores da Universidade Federal do Amazonas, responsáveis pelo acompanhamento acadêmico e pedagógico das atividades desenvolvidas pelos licenciandos. A presença desses docentes da universidade foi essencial para articular os conhecimentos produzidos no espaço acadêmico às práticas e demandas concretas encontradas nas escolas públicas”, expôs.

Se o Pibid é importante para a formação dos licenciandos da capital, imagina os efeitos dele para os graduandos dos campi fora da sede? O dia 3 de fevereiro de 2025 pode ser uma data qualquer para muitas pessoas, mas para Daiane Stefany de Paima, estudante de Ciências, Biologia e Química da Ufam no município de Coari, ela jamais será esquecida, pois foi quando ela teve sua primeira experiência em sala de aula, por meio do Pibid. “A primeira vez deu aquele nervosismo, que é normal, mas eu procurei não demonstrar isso para os meus alunos. Foi uma experiência bem tranquila porque consegui me apresentar, conversar e interagir com a turma. E eles foram bem receptivos comigo. Comentei que estaria lá acompanhando eles durante esse período e que poderia me procurar caso tivessem alguma dúvida ou precisassem de ajuda com atividades e conteúdos”, conta a Pibidiana, ao lembrar aquele momento diante dos 35 rostos dos alunos do Turma de 9º ano 01 da Escola Estadual Prefeito Alexandre Montoril (GM3), em Coari. 

Com 20 anos e cursando o 6º período do curso, Daiane, como muitos estudantes da Ufam, é a primeira de sua família a ingressar no ensino superior. Mas a conquista inicial logo se transformou em desafio não somente pela parte acadêmica, mas também pelas despesas advindas de sua nova realidade. “O Pibid oferece uma bolsa que, para mim, é uma grande ajuda. Eu tenho o Pibex [Programa Institucional de Bolsas de Extensão] também. Sem eles,  a minha vida seria bem difícil, já que minha mãe é dona de casa e só recebe o Bolsa Família, talvez eu tivesse que trabalhar, o que dificultaria os meus estudos”, diz Daiane. “A falta de condições financeiras pode dificultar tanto o acesso quanto a permanência do aluno, mesmo em uma universidade pública, existem gastos com transporte, alimentação, materiais e outras necessidades. Por isso, bolsas e auxílios são muito importantes para que estudantes de baixa renda consigam permanecer e concluir a graduação”, explica.

Para Daiane, o programa foi importante também para confirmar a escolha profissional. “O que mais me chamou a atenção até o momento foi justamente aprender na prática como funciona o dia a dia de uma escola, como é estar à frente de uma turma e o Pibid acaba sendo uma experiência muito próxima de um estágio, mas com a oportunidade de acompanhar esse processo por mais tempo e de forma mais próxima. Eu estou aprendendo a lidar com diferentes turmas, manter uma postura em sala de aula, consigo me comunicar com os alunos, organizar atividades, aplicar avaliações, corrigir trabalhos e quando necessário explicar até mesmo os conteúdos para eles. Para mim, essa experiência é muito importante porque como estudante de licenciatura, é com o Pibid que a gente consegue ter uma visão mais real de como é ser professora e até perceber se realmente a gente quer seguir esse caminho”, revelou.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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