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Conheça a história de Eliud Hernandez, o venezuelano que revalidou o diploma na Ufam para mudar de vida no Brasil

Publicado: Quinta, 09 de Setembro de 2021, 15h40 | Última atualização em Sexta, 10 de Setembro de 2021, 15h33 | Acessos: 2066

 Por Sandra Siqueira
Equipe Ascom Ufam

 

Eliud Hernandez após colação de grau na VenezuelaImagine você vivendo sua vida normalmente, sendo um advogado, mestre em Direito Penal e Criminologia e especialista em Direito Penal e Processo Penal, com um bom emprego e uma boa condição de vida. Sua vida é confortável e tranquila. Até que uma crise política e econômica em seu país obriga você a abrir mão de tudo isso em busca da sobrevivência. 

Esta é a história de Eliud Rafael Blanco Hernandez, venezuelano, residente no Brasil desde outubro de 2017, quando veio com a esposa Jennifer tentar a vida no país vizinho. Os dois filhos, de cinco e nove anos, tiveram que ficar com parentes na Venezuela.

“Eu vivia muito bem, mas o governo da Venezuela tirou tudo não apenas de mim, senão quase do povo inteiro. Eu tinha duas opções, deixar tudo para trás e começar do zero, ou então virar corrupto no meu país, preferi sair. Tive que vender tudo o que tinha de valor para apenas pagar as passagens e alugar um kitnet por 15 dias. Fiz isso pela minha família”, conta. “Escolhi o Brasil porque vi que era um país cheio de oportunidades, e porque não tinha muitos recursos para chegar na Europa ou nos Estados Unidos, eu vi o Brasil como a melhor opção latino-americana”, disse.

 

Começar de novo

Eliud consertava sapatos quando chegou ao BrasilSua entrada no Brasil se deu por Boa Vista (RR). Aqui, passou a trabalhar em um semáforo vendendo sucos, dindim e coco gelado. Também consertava sapatos para ganhar dinheiro e enviá-lo para a família na Venezuela. “O meu pai me ensinou, deixou esse legado e eu nunca pensei em fazer isso, mas a vida fez com que eu apreciasse esse aprendizado”, revela Eliud.

Devido à grande concorrência, Eliud e Jennifer decidiram vir para Manaus. Chegaram em março de 2018, cinco meses após a entrada no território nacional. No Centro, conseguiu um local onde colocar sua mesa e continuou a trabalhar como sapateiro. “Primeiro foi perto do porto de Manaus, e depois fiquei bem na frente do Garajão. Eu ficava numa loja bem na frente que vendia coisas de som antigas e novas”, lembra.

O português foi um dos primeiros obstáculos encontrados por Eliud no novo país. E também um dos primeiros a ser superado por ele, graças à força de vontade de vencer. “Com muita dedicação, aprendi do zero. Aprendi devido à grande necessidade, era aprender ou aprender pois não tinha outra opção”, relata.

As portas abertas

Um dia, por meio de um amigo, Eliud conheceu um pastor que, sabendo que ele era advogado, sugeriu-lhe procurar a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AM) e ele foi. “Pedi para falar com alguém da diretoria e me encaminharam com a doutora Ida, que era, à época, secretária geral da OAB/AM. Eu falei com ela, contei a minha história. Ela ficou emocionada e falou com o presidente Choy. Ela marcou no dia seguinte comigo e quando cheguei para falar com ela, já estava tudo preparado, até o lugar onde eu iria trabalhar que era o Tribunal de Ética”, declara.

E assim, trabalhando como auxiliar administrativo na OAB, Eliud deu o primeiro passo para conseguir uma melhor situação de vida em seu novo país. Mas ele queria mais. Ciente de que poderia validar o seu diploma de Direito no Brasil, o venezuelano não teve dúvidas e procurou a Ufam para iniciar o processo. “Eu já estava procurando essa informação, pois minha meta desde o início era essa [validar o diploma]. Pesquisando na Internet, eu li no site da Ufam uma portaria que trata sobre o procedimento de revalidação. Eu fui à Ufam e me orientaram, me deram o suporte necessário para entrar com o pedido”, registra.

Eliud e seus professores da FDPara atingir seu objetivo, Eliud precisava cumprir a carga horária exigida no processo de revalidação. Para isso, voltou a estudar. Cursou duas disciplinas práticas da Faculdade de Direito por dois períodos e em 2020 conseguiu ter o seu diploma validado no País. “Eliud sempre foi um aluno bastante dedicado. Em que pese as dificuldades inerentes a todo imigrante, sobretudo aqueles que deixaram a Venezuela em razão das instabilidades política e econômica,  Eliud nunca perdeu a esperança. Com bom ânimo,  enfrentava - e ainda enfrenta - as adversidades impostas pela vida”, destaca o professor Marcos Maurício. “Aluno exemplar, sempre muito dedicado e com espírito humano extraordinário, via no direito um instrumento para se fazer justiça, independentemente de cores partidárias, ideologias ou fronteiras”, completou. 

A conquista

A próxima etapa era clara: a prova da OAB. Depois de muito estudo e dedicação, Eliud realizou o exame e na última segunda-feira (6) se tornou o primeiro venezuelano (dos que imigraram para o Brasil desde 2015) a ser aprovado na avaliação da Ordem no Amazonas. “Estudei bastante. Fiz uma pós-graduação simultaneamente à revalidação, esta pós-graduação e os conhecimentos que adquiri na Ufam no NPJ-1 e NPJ-2 [Núcleo de Prática Jurídica 1 e 2] mais o TED [Tribunal de Ética e Disciplina] da OAB/AM me ajudaram muito, além de fazer curso no Instituto de Direito Aplicado com o professor Felipe Braga”, detalha.

Agora, já com a família no Brasil e com permissão de trabalho em sua área, Eliud tem novos sonhos e planos para correr atrás: “Dependendo das circunstâncias, pretendo concursar como delegado, docente, contribuir na política de educação, montar o meu próprio escritório e retribuir ao Brasil o que tenho recebido; me considero uma pessoa filantrópica e quero ajudar aos imigrantes e nacionais brasileiros”, afirma.

 

 

 

 

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