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Departamento de Economia divulga Nota Técnica sobre impacto do coronavírus no Amazonas

Publicado: Quinta, 21 de Maio de 2020, 15h23 | Última atualização em Sexta, 22 de Maio de 2020, 16h53 | Acessos: 594

Por Sandra Siqueira
Equipe Ascom Ufam 

 

O Departamento de Economia da Faculdade de Estudos Sociais da Ufam publica levantamento sobre a situação de contágio de covid-19 nos municípios do Amazonas. A Nota Técnica mostra que o interior está sendo mais afetado pelo avanço da doença do que a capital. Sessenta municípios já apresentaram casos de coronavírus.

Produzida pelos professores Lucas Sousa, do Departamento de Economia (DEA) e Luís Souza, do curso de medicina do ISB, discutem o impacto do coronavírus sobre a população do Amazonas. Em sua quinta edição, a Nota Técnica Nº 05 foi publicada na quarta-feira, 20, e apresenta o comparativo entre dois períodos de coleta de dados, dias 4 e 18 de maio. De acordo com o documento, a variação da taxa de incidência da covid-19 no interior do Estado é de 73,5% em relação à capital, Manaus. No dia 4, havia 54 municípios com casos confirmados, no dia 18 passou para 60. Apenas dois municípios não registraram casos de covid-19, Envira e Ipixuna.

“Os resultados mostram que, no primeiro período, Manacapuru liderava o ranque com a maior taxa de incidência, enquanto Manaus assumia a 12ª posição. Decorridas duas semanas, Santo Antônio do Içá passou a liderar o ranque e a capital do estado passou a ocupar a 24ª posição. Esse resultado emite um sinal de alerta, pois os municípios do interior não possuem leitos hospitalares para tratamentos intensivos, o que pode ser um fator agravante para aumento do número de mortes por covid-19 no interior do estado”, registra a Nota Técnica.

Para a elaboração da Nota Técnica foram consideramos o número de casos confirmados de covid-19 nos municípios do Estado do Amazonas. “Os dados foram coletados nos boletins da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas. Além disso, para calcular a taxa de incidência por 10 mil habitantes, utilizamos os dados populacionais do Tribunal de Contas da União, que representam estimativas populacionais de cada município com data de referência em 1º de julho de 2017. Isso permite uma análise mais apurada e fidedigna com a realidade populacional atual”, informa o professor Luís Souza. Por se tratar de um estudo comparativo, consideramos todos os municípios com casos confirmados no dia 04 de maio, o que totaliza 54 municípios”, detalha.

Segundo o site https://covid.saude.gov.br/, o Amazonas é o estado com o maior número de casos confirmados de covid-19 na região Norte, com 23.704 registros em 20 de maio, com 1,561 óbitos, sendo um dos mais impactados pela doença no território brasileiro.  Para os pesquisadores, a situação é preocupante, pois ainda não foi atingido o pico de infecções. “Isso significa que não podemos relaxar o distanciamento social. Além disso, nesta última Nota Técnica verificamos que o epicentro dos casos está migrando de Manaus para o interior do Estado. E essa situação é muito delicada, pois já se sabe que uma parte dos infectados pode apresentar sintomas mais severos, necessitando de atendimento hospitalar e internação em leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Como todos os municípios do interior do Estado não dispõem deste tipo de leito, com um número expressivamente baixo de cidades apresentando apenas leitos de terapia semi-intensiva, estas regiões ficam mais vulneráveis, podendo impactar no aumento do número de mortes pela Covid-19 no interior do Estado”, comenta Lucas Sousa.

Para ajudar a população a se proteger, os docentes orientam algumas práticas úteis durante o período de pandemia, que somadas às ações governamentais, podem contribuir para reduzir o número de casos no Amazonas. “Primeiramente, os cidadãos devem desconfiar das mensagens que recebem em suas redes sociais. Façam uma reflexão se aquela informação é verídica. Segundo, como não atingimos o pico da infecção, é importante que as autoridades reforcem a importância do distanciamento social, o uso de máscaras e que as pessoas respeitem ao máximo essas recomendações. Apesar de reconhecer as dificuldades em manter o distanciamento social, é de suma importância que as pessoas se esforcem para seguir esta medida. A Nota Técnica foi breve e com uma linguagem clara e mais simples, na intenção de justamente permitir que uma pessoa não especialista entendesse a gravidade. As autoridades devem, também, disponibilizar aos moradores com mais clareza a situação de seus municípios, mostrando como o vírus tem afetado novas pessoas ao longo dos dias - e num curto espaço de tempo. Mesmo os que possam apresentar números de casos considerados baixos, partindo do princípio da precaução, é muito importante que reforcem as medidas de contenção”, finaliza o professor Lucas Sousa.

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