Abertura da Exposição "Ticuna em Dois Tempos", no dia 10 de abril

O Museu  Amazônico o Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral ( MArquE), juntos no INCT Instituto Brasil Plural (Cnpq/FAPEAM/FAPESC) abrem, dia 10 de abril, às 19h, a exposição: “Ticuna em Dois Tempos”. Paralelo entre duas épocas: objetos indígenas" coletados pelo antropólogo catarinense Sílvio Coelho na Amazônia dos anos 60 ao lado da coleção do artista plástico amazonense Jair Jacmont reunida nos anos 70. A visitação ocorre de 11 de abril a 31 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. O Museu Amazônico está localizado na Rua Ramos Ferreira, 1036, Centro.

 

 

A exposição Ticuna em Dois Tempos traz o resultado de duas histórias de amor e homenagem a mais numerosa nação indígena do país. Cruza dois olhares de duas épocas distintas em duas coleções produzidas com critérios e objetivos diferentes sobre a mesma etnia, os Ticuna ou Mgüta, que vivem no Alto Rio Solimões, na Amazônia brasileira e também na Colômbia e Peru. De um lado, o olhar do historiador e antropólogo catarinense Sílvio Coelho dos Santos, que reuniu sua coleção quando participou de expedição à Amazônia do Curso de Especialização em Antropologia do Museu Nacional, na década de 1960. De outro, o olhar estético do artista plástico Jair Jacmont, que formou sua coleção na década de 1970, adquirindo os objetos dos próprios índios, na cidade de Manaus.

Exibidas pela primeira vez ao público, as duas coleções juntas assombram e fascinam pela beleza e expressividade. A exposição conjunta é um projeto alimentado há longa data pelas duas instituições de extremos opostos do Brasil, com o objetivo de promover o diálogo entre esses dois reveladores olhares para a mesma cultura.

artista plástico amazonense que se inspira nos Ticuna para produzir seus quadros, Jacmont começou a colecionar as peças de arte indígena que as elites da região consideravam “panema” (azar) dentro de casa. Influenciado pelo movimento cubista na arte, Jair Jacqmont passou a observar tridimensionalidade, textura, cores, formas e conceitos das peças indígenas, como Picasso fez com máscaras e estátuas dos povos africanos. Passou a comprar no Mercado Municipal Adolpho Lisboa, em Manaus, peças Ticuna que os vendedores consideravam “artesanatos”, valorizando-as como genuínas obras de arte, sobretudo pela sua tridimensionalidade. Assim reuniu135 peças, entre esculturas antropomorfas e bastões de ritmo e de comando usados para danças e rituais, além de uma considerável quantidade de máscaras esculpidas em madeira. Este acervo sob a guarda do Museu Amazônico da Universidade Federal da Amazônia desde 1994, esteve em exposição no Marque da UFSC durante o ano de 2012. A exposição Tikuna em dois tempos reabre agora no Museu Amazônico da UFAM, como parte da parceria entre os museus no INCT Brasil Plural. A marca desta etapa da exposição sera a participação dos ticuna da Associação Associação Cultural Wotchimaucü, da Cidade de Deus, em Manaus, em várias atividades que estão previstas para acontecerem no decorrer do periodo de seis meses. Estão previstas mesas-redondas, palestras, oficinas de video e curso de extensão de língua tikuna), que serão divulgadas no decorrer do semestre.