“A Selva” de Márcio Souza no Cine Museu Amazônico desta quarta (6)

Nesta quarta-feira (06/11/2013), às 13h, no Instituto de Educação do Amazonas-IEA, Rua Ramos Ferreira, 909-Centro, “A Selva”, dirigido por Márcio Souza, filme roteirizado a partir do romance do escritor português Ferreira de Castro, de título idêntico, é a atração da programação da mostra Amazônia Cidadania Violentada, promovida pelo Museu Amazônico da Universidade Federal do Amazonas. Familiarizado com as pesquisas sobre temas amazônicos, o cineasta, escritor, dramaturgo, membro da academia de letras e, atualmente, presidente do Conselho de Cultura do Município, Márcio Souza é presença garantida no evento.

Na ocasião, o cineasta vai dialogar com o público presente sobre a obra e as razões do processo migratório da Amazônia no idos de 1910 a 1912, que resultou, dentre outras violências, na exploração do trabalho dos chamados “soldados da borracha”, levando-os ao isolamento extremo de seus lugares de origem - a solidão, a escravidão, a miséria absoluta e a morte. A Selva, ressalte-se, é uma das leituras possíveis sobre a obra de Ferreira de Castro e, ao mesmo tempo, uma das primeiras aposta no talento local.  A “Seva”, de Ferreira de Castro, constitui-se em um dos livros que se tornaram clássicos enquanto relato sobre a Amazônia, em um dos períodos mais agonizantes do ciclo da borracha. Ele mostra uma selva sendo desnaturalizada pela própria intervenção humana. É sobre esta última forma: o processo de “desnaturalização”, que levou ao foco da discussão que vai se dar entre o palestrante convidado e o público presente. O fato é que tanto a obra cinematográfica do cineasta Márcio Souza quanto o livro do escritor português Ferreira de Castro estão de acordo com os propósitos da mostra "Amazônia: Cidadania Violentada", pois nos mostra um momento do processo migratório de parte da Amazônia legal, no que diz respeito a sua ocupação e violência em relação ao meio ambiente e ao homem. Para completar a leitura das obras tanto do cineasta quanto do escritor acima citados, o escritor, historiador e membro da academia amazonense de letras, Abrahim Baze, finalizará o evento informando as trajetórias dos intelectuais em questão.

Sinopse

"Alberto, após participar de uma revolução em Portugal, foge para Belém do Pará. Entregue por um tio aos cuidados de um arregimentador nordestino de seringueiros, vai parar no seringal 'Paraíso', às margens do Rio Madeira. Entra em contato com a realidade amazônica, e a surpresa daquele exuberante mundo leva-o a mudar de orientação e de mentalidade, mesmo conhecendo todas as privações comuns ao emigrante nordestino que vai para a Amazônia em busca de um Eldorado. Anistiado em Portugal, Alberto pede permissão ao dono do seringal para deixar a região e retornar a seu país. Antes de fazê-lo, porém, incendeia o barracão e o dono do seringal morre". (Guia de Filmes, 47)