Obras do Campus da Ufam em São Gabriel da Cachoeira iniciam em 2018

 

A sociedade apresentou suas propostas para cursos de graduação, dentre as quais Enfermagem, Engenharia Florestal, Engenharia Civil, Antropologia, Agronomia e Economia

 

Participantes da audiência públicam registram encerramento de mais um dia de debatesParticipantes da audiência públicam registram encerramento de mais um dia de debates

Por Cristiane Souza
Equipe Ascom

Após dois dias de audiência pública da qual participaram a comitiva da Universidade Federal do Amazonas, gestores municipais dos poderes executivo e legislativo e lideranças indígenas das comunidades de São Gabriel da Cachoeira, a decisão foi unânime: o polo da Ufam será implantado no município e as obras serão iniciadas no primeiro semestre de 2018.

O terreno de aproximadamente 60 mil m², doado pela prefeitura, já está à disposição da Universidade e toda a documentação já certificada em cartório. O planejamento para a implantação da Unidade Acadêmica contempla a elaboração dos projetos arquitetônico, hidráulico, sanitário e elétrico.

No caso deste último, por reivindicação dos indígenas, a Universidade deverá elaborar projeto de abastecimento baseado no uso de energia renovável e limpa, a energia solar fotovoltaica. Os recursos para a construção também já foram garantidos pelo reitor, professor Sylvio Puga.

“Os projetos devem ser finalizados nos primeiros meses de 2018, por uma equipe interdisciplinar da própria Ufam. Num próximo momento, nós voltaremos com a equipe de engenheiros que conduzirá os trabalhos. Esta será uma obra moderna”, explicou o pró-reitor de Extensão e representante da Administração Superior no evento, professor Ricardo Bessa.

Pró-reitor de Extensão conversa com lideranças indígenas sobre o projeto pedagógico do novo campus Pró-reitor de Extensão conversa com lideranças indígenas sobre o projeto pedagógico do novo campus

Direito à Educação

Na audiência pública, da qual participaram representantes das diversas etnias, o diretor de Extensão, professor Almir Menezes, afirmou: “Eu quero muito mais ouvir as necessidades das comunidades que aqui estão para que, através dessas narrativas, a gente possa, de modo muito adequado e socialmente referenciado, oferecer cursos que sejam necessários ao desenvolvimento da região e das pessoas que aqui vivem”.

O professor, que é cientista social e advogado, frisou que a Educação é um direito constitucional do povo brasileiro. “A Universidade Federal do Amazonas, nesses mais de 30 anos de trabalho sendo exercido aqui em São Gabriel da Cachoeira, teve boa parte das suas ações no sentido de construir um plano pedagógico de curso que mirava a formação de professores. É fundamental formarmos professores e, de fato, já existe ensino fundamental e médio muito fortes e críticos, ou seja, potencializadores de autodeterminação”, explicou.

Ao tomar a iniciativa de implantar um Campus, a atuação da Ufam dará continuidade a esse trabalho, inclusive contribuindo de forma estratégica para o desenvolvimento autossustentado em parceria com o poder público e com os povos indígenas das 23 etnias que compõem o contingente da sede e das calhas dos rios. “Se a Universidade tem uma função social cujo pressuposto é o ensino, a pesquisa e a extensão, isso são motivos e fundamentos para que se instale um polo aqui”, argumentou o docente.

Oportunidades

Os representantes indígenas e líderes comunitários entregaram suas propostas, muitas delas escritas a punho, ao professor Ricardo Bessa. Ao recepcioná-las, o pró-reitor garantiu analisar todos os pedidos quando da elaboração do projeto de cursos para a nova unidade. “A educação superior de qualidade é capaz de promover cidadania e consciência crítica. Isso, por sua vez, faz avançar o processo de desenvolvimento social e econômico”, ponderou ele.

Um dos cursos mais solicitados pelos comunitários foi o de Enfermagem. Além desse, foram citados pelos gabrielenses as graduações em Engenharia Florestal, Engenharia Civil, Antropologia, Agronomia, Economia, Direito e Contabilidade.

Humberto Gomes é representante dos professores indígenas do Alto Rio Negro. Na lista de cursos indicados por ele como estratégicos para organizar o Alto Rio Negro estão Enfermagem e Engenharia Florestal. “Sabemos o quanto é importante a chegada da Ufam em São Gabriel e como vai mudar a cara da nossa cidade. Estamos esperando por isso há muito tempo”, disse.

Assim como ele, Daniel Gonçalves, 58, é morador da comunidade Jerusalém, na calha do Alto Içana. Ele apoia a implantação da Ufam no Alto Rio Negro. “Eu tenho três filhos, dois meninos e uma menina. Eu estou aqui pensando no futuro deles, porque eu quero que eles façam um curso superior. A chegada da Universidade é o melhor para os nossos jovens, porque nós, mais velhos, não temos mais como voltar atrás”, avaliou o indígena.